Top 20 de 2015: Álbuns do ano

Top 20 de 2015: Álbuns do ano

Estamos a chegar ao final de mais um ano e a época de balanços impera. Por estes lados não é diferente e depois de várias e complexas contas (ok, não é verdade, contas de dificuldade assim assim) apresentamos o nosso Top de discos preferidos deste ano. Para as votações contámos com as participações de Andreia Vieira da Silva, Christopher JRM, Cláudia Andrade, Cláudia Filipe, Diogo Soares Silva, Hugo Rodrigues, Isabel Leirós, João Neves, Pedro Gomes Marques, Ricardo Almeida, Sèrgio Neves e Vera Brito. Sem mais demoras, aqui fica:

#20 Deafheaven – New Bermuda
#19 Steven Wilson – Hand. Cannot. Erase
#18 Sunn O))) – Kannon
#17 Prurient – Frozen Niagara Falls
#16 Iron Maiden – The Book of Souls
#15 Pista – Bamboleio
#14 Kendrick Lamar – To Pimp a Butterfly
#13 Ghost – Meliora
#12 Tame Impala – Currents
#11 Allen Halloween – Híbrido

#10 Ken Mode – Success

Ken Mode - Success

Com acabamentos a cargo de Steve Albini e selo Seasons of Mist, Success é das melhores coisinhas que ouvimos este ano. Confirmemo-lo numa “Blessed” que nos esmaga, umas “These Tight Jeans” e “I Just Liked Fire” que não nos deixam estar quietos, na contagiante “Management Control”, e numa “Dead Actors” com food for thought – “lá está ele a usar estrangeiro”. RA

#9 Tobias Jesso Jr. – Goon

Tobias Jesso Jr. - Goon

Num ano especialmente positivo no que toca a discos “de canções”, as baladas sem grandes artifícios de Tobias Jesso Jr. marcaram os primeiros meses. Goon poderia não passar de uma colecção de histórias que entram por um ouvido e saem pelo outro, mas a produção de JR White (Girls) eleva o disco de estreia do canadiano a outro patamar: ver “How Could You Babe”, “Hollywood” ou “Just a Dream”. DSS

#8 Kurt Vile – b’lieve i’m goin down

Kurt-Vile---b’lieve-i’m-goin-down

Depois de um último disco menos conseguido, Kurt Vile regressou em grande com “b’lieve I’m goin down…”. O Soneca da Branca de Neve (que não a de João César Monteiro) cresceu, adoptou uns trejeitos de palco à Joey Ramone, deixou crescer o cabelo e abandonou os War on Drugs, tornando-se num dos melhores cantautores da sua geração. Este mais recente trabalho é o seu melhor desde “Smoke Ring For My Halo” e “So Outta Reach” (ambos de 2011), assinalando a subida a um outro nível, de maior complexidade na composição e nos arranjos – tudo com a maior das subtilezas. O banjo marca presença no meio das acústicas e das Jaguar, o trabalho de cordas é mais intrincado e, em matéria de letras, a formiga já tem catarro, com direito a ladrões e proxenetas – há ainda direito a um belíssimo instrumental, “Bad Omens”.  O trabalho mais maduro e variado de Kurt Vile e um dos grandes álbuns de 2015, sem quaisquer dúvidas. Ouçam à confiança. JR

#7 Natalie Prass – Natalie Prass

Natalie Prass - Natalie Prass

Do amor pouco falta ao cantar, e tudo falta ao saber. É no entanto no leve encanto da refinada voz de Natalie Prass e das texturas ricas da sua música que ele se esconde, dos incompreensíveis desencontros e dos desejos incontroláveis, mantendo-se puro, esperançoso, e vivo. A maravilhosa malha instrumental, resultado do contributo de trinta músicos, complementa a simplicidade emotiva da individualidade de forma inibriante, catapultando este álbum de estreia para um dos melhores do ano. SN

#6 Courtney Barnett – Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit

Courtney Barnett - Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit

Courtney Barnett foi para muitos uma das revelações de 2015 com o seu LP estreia Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit, mas quem já lhe conhecia a forma espirituosa e inteligente de contar histórias do seu anterior EP (embora o termo EP seja enganador para as sólidas 12 faixas de A Sea of Split Seas), sabia que a miúda australiana iria em breve encontrar um espaço só seu na música e arrancar os mais rasgados elogios da crítica. A sua força assenta não tanto no seu rock com rasgos de atitude punk, mas sim na franqueza com que aborda o quotidiano na sua voz irónica e jovial, onde o tom monocórdico ajuda à sua interpretação astuta da realidade – afinal os melhores narradores de histórias nunca foram os mais espectaculares vocalistas. Já arrecadou vários prémios e nomeações, com fortes possibilidades de levar consigo este ano o Grammy de Best New Artist, figura em quase todas as listas de melhores álbuns de 2015 e os mais entusiastas até já a querem comparar a Bob Dylan. No meio de tanto alarido é legítimo perguntar como irá Courtney manter-se no pedestal a que foi elevada ou se a própria estará minimamente preocupada com isso, “Put me on a pedestal and I’ll only disappoint you / Tell me I’m exceptional, I promise to exploit you“. VB

#5 Chelsea Wolfe – Abyss

Chelsea Wolfe - Abyss

Abyss são 55 minutos de queda vertiginosa num precipício tenebroso para todos aqueles que se aventurarem a ouvir até ao fim o último álbum da californiana Chelsea Wolfe. Desde a primeira música “Carrion Flowers”, gutural, carregada de distorção de guitarras e baterias primais, até aos teclados industriais e violinos arrepiantes de “The Abyss”, a última faixa, que somos arrastados ao abismo interior de Wolfe, onde apenas a sua voz límpida e exímia é capaz de lançar alguma luz sobre estas trevas. Segundo Wolfe, Abyss terá sido inspirado pela paralisia do sono de que sofre (a incapacidade de mover o corpo ao acordar e a assustadora consciência disso) e daqui em diante este álbum deveria fazer parte dos manuais médicos para todos aqueles que quisessem entender melhor o terror desta condição. Wolfe tem sido camaleónica bebendo influências dos mais diversos estilos ao longo da sua carreira, folk, noise rock, metal, entre tantos, mas a sua natureza gótica tem estado sempre lá, pelo que muitos fãs ansiariam por a ver finalmente revelada em toda a sua plenitude. Abyss é para esses fãs, sombrio, de letras densas, a cruzar os mundos do doom metal, prometendo atormentar-nos o espírito a cada vez que carregarmos no play. VB

#4 Sufjan Stevens – Carrie & Lowell

Sufjan Stevens - Carrie & Lowell

Se este disco não constar em todos os tops que vêem, estranhem. “Carrie & Lowell” chegou depois de uma pausa de cinco anos, mas valeu a pena a espera. A melhor palavra que descreve este álbum é “agridoce”. Sufjan deixa-nos devastados com cada faixa que nos dá, com cada palavra, com cada melodia. É, sem dúvida, um dos melhores do ano. RN

#3 Faith No More – Sol Invictus

Faith-No-More---Sol-Invictus

Evitando o trocadilho fácil com nome de uma das músicas mais emblemáticas da banda, podemos concluir que a idade não amansou os Faith No More. Afinal de contas, Mike Patton apresenta-se confiante e sem receio de arranjar confusão com o primeiro fanfarrão que lhe aparecer à frente. Ora escutemos a sinistra “Motherfucker”, um dos pontos altos do disco, com Roddy Bottum a cantar num registo mais perto do rap do que de outra coisa. RA

#2 Godspeed You! Black Emperor – Asunder, Sweet and Other Distress

GY!BE - Asunder, Sweet and Other Distress

Completo desgoverno para alguns, a zona de conformo dos GY!BE é um dos mais bonitos lugares debaixo deste sol que insiste em erguer-se todos os dias – comprovemo-lo no tema “Piss Crowns Are Trebled”. Enquanto o mundo como o conhecemos parece estar a dar as últimas, os GY!BE escrevem diligentemente a mais adequada das bandas sonoras. RA

#1 Father John Misty – I Love You, Honeybear

father-john-misty-i-love-you-honeybear

Após meia dúzia de álbuns chatinhos em nome próprio, a carreira artística de Josh Tillman tinha tudo para ter terminado algures no início da década. Felizmente para ele e para nós, mudou-se para Laurel Canyon, reinventou-se e conheceu Jonathan Wilson. A personagem Father John Misty constitui o lado bem-humorado, sarcástico, eloquente e literato de Tillman, capaz de escrever algumas das letras mais refrescantes da actualidade; Wilson, uma espécie de rei Midas californiano, produziu e – com a ajuda de cerca de duas dúzias de músicos – deu corpo a I Love You, Honeybear. Ao fim de três anos de parceria, o legado da mesma é já impressionante: depois de Fear Fun ter estado no topo das listas mais atentas de 2012, este nada “difícil segundo disco” atinge o mais alto patamar da lista Arte-Factos de 2015. Não é difícil perceber porquê. DSS

Arte-Factos

Webzine portuguesa de divulgação cultural. Notícias, música, cinema, reportagens e críticas. O melhor da cultura num só lugar.

Facebook Twitter LinkedIn Google+ YouTube