Top 10 de 2015 por David Bernardino

Top 10 de 2015 por David Bernardino

À primeira vista, para um espectador exigente, 2015 não foi um ano particularmente rico em qualidade no que às estreias em Portugal diz respeito. No entanto, um olhar mais atento permite descobrir que de entre blockbusters falhados, Pátios de Cantigas e algumas comédias aberrantes 2015 trouxe às salas portuguesas algumas pérolas preciosas. O ano foi longo e obras de excelência foram poucas, é certo, mas este foi um ano com alguns filmes de características únicas que souberam trazer algo de novo à indústria, e não foram na verdade tão poucos quanto isso. Eis a lista dessas excelentes obras e desses pequenos tesouros que pontuaram as estreias em Portugal.

#10 Uma Dívida de Honra

Um western de 2015 que do género clássico pouco tem. Uma dívida de honra (The Homesman) é drama e terror, são pistolas e isolamento nas longas pradarias do Oeste, com personagens ricas e inesperadas, assim como o seu enredo e realização. Um filme com cunho de autor realizado por uma das suas maiores estrelas, Tommy Lee Jones.

#9 Miss Julie

A musa de Ingmar Bergman, Liv Ullman, já velhinha, realiza este tocante filme que não olha a regras de cinema para ser cinema puro, tocante e apaixonante. Três actores, dois cenários, qual teatro no cinema, transportam através do diálogo paixões reprimidas, desejos escondidos, chantagens e beijos, tudo isso numa noite de solstício de Verão no Norte da Irlanda, onde o sol não se põe…

#8 A Caminho do Oeste – Slow West

A Caminho do Oeste – Slow West é outro western que do género clássico pouco tem. É naturalista, pitoresco e por vezes até alucinado. Um história de amor bizarra com muitos detalhes para analisar. Uma verdadeira pedra preciosa que poucos descobriram em 2015.

#7 Blackhat

O incompreendido Michael Mann realizou este thriller tecnológico sobre um hacker musculado de forma tão simples e pura que o movimento da personagem se torna poesia visual, a tensão está na emboscada, nos corredores, no diálogo concreto. De profundo não tem nada, mas é tecnicamente perfeito. Uma lição sobre como fazer um filme de acção.

#6 Tale of Princess Kaguya

O melhor filme de animação do ano não é da Pixar. É dos estúdios Ghibli do Japão e fala de um conto tradicional acerca de uma pequena princesa vinda da Lua criada por um casal de camponeses. A animação baseia-se em rabiscos de movimento e colorações em aguarela, o que a torna única e a narrativa não se fica atrás.

#5 Sicario

Sicario

Um filme ponderado e corajoso que põe o dedo na ferida das relações de investigação internacional de tráfico de droga entre Estados Unidos e México. Sicario cria tensão de momentos aparentemente inofensivos e arrebata-nos com a sua simplicidade formal e complexidade de conteúdo que permite extrair algumas soberbas interpretações.

#4 Knight of Cups

O novo filme de Terrence Mallick gera ódios e paixões. Não é um produto propriamente equilibrado, mas arrisco a dizer que é um dos filmes mais belos de todos os termos em termos visuais. Cria o seu próprio mundo de fantasias e lutas interiores em centenas de planos fabulosos que só pecam por curtos. É um desfile de simbolismos e imagens de rara beleza, mesmo que situadas dentro de uma discoteca. Não é amigo do espectador que procure uma narrativa coesa. Knight of Cups é outra coisa.

#3 Mad Max: Fury Road

De entre os pesos pesados de Hollywod, o novo Mad Max: Fury Road é o expoente máximo. O mundo que George Miller cria é fantástico, detalhado ao mais ínfimo delicioso pormenor. A cinematografia e a realização são de ficar com o queixo caído e não é preciso grande telenovelas para tornar uma perseguição de duas horas no deserto num torpedo equilibrado de emoções e originalidade. Isto sim é gastar dinheiro como deve ser.

#2 Whiplash

Já esteve nos Óscares do ano passado, mas só no início de 2015 chegou a Portugal. Já tudo foi dito sobre esta história de sangue, suor e lágrimas, mas o seu ambiente situado no jazz clássico de orquestra, focando-se num jovem baterista que quer ser o próximo Buddy Rich é reservado e emocionante. A sua cena final é de antologia, ao nível do final de Black Swan.

#1 Room

O melhor filme a estrear em 2015 em Portugal é Room, de Lenny Abrahamson, exibido no  LEFFEST. Um drama original, realista, sem papas na língua, sobre uma mãe presa em cativeiro pelo seu raptor e o seu filho de cinco anos que nunca viu o Mundo exterior. Room foge do dramatismo básico e chorão para um verdadeiro sentimento de claustrofobia, impotência, felicidade, justiça, beleza, liberdade, pureza… Tudo isto respeitando o espectador e a sua inteligência. Dificilmente terá rival nos grandes prémios de 2016, mas vamos esperar para ver.

E ainda…

#11 Missão Impossível: Nação Secreta
#12 Força Maior
#13 It Follows – Vai seguir-te
#14 Perdido em Marte
#15 Shrew’s Nest
#16 Steve Jobs
#17 Maggie
#18 Adeus à Linguagem
#19 Cop Car
#20 The Invitation

Amante e crítico de cinema. Actualmente escreve no blog de cinema pessoal The Fading Cam em thefadingcam.blogspot.com e, claro, no Arte-Factos.

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