Top 10 de 2015 por Raquel Sampaio

Top 10 de 2015 por Raquel Sampaio

Sou a novata cá do sítio e pediram-me para fazer um top 10 à laia de apresentação. O meu top 10 do ano não versa sobre nenhuma área em particular e, portanto, percorre o meu ano de séries, cinema, música e amores – elementos mais do que suficientes para me irem conhecendo. Corações ao alto, aqui vai a minha estreia nestas lides:

#10 Minha mãe, de Nanni Moretti

Mia Madre II

É um murro no estomâgo de luva branca. Eu sei, demasiadas referências numa única frase, mas é exactamente o que este melodrama provoca. Ansiedades, ternura, angústia, nostalgia, tudo enrolado num olhar feminino sobre a relação mais ontológica de todas, entre mãe e filhos.

#9 To Pimp a Butterfly, de Kendrick Lamar

butterfly

O álbum mais consensual de todos os tops de 2015, foi também o álbum que mais rodou por estes ouvidos para dançar, mas também para desfiar as letras cuidadosamente. Em Julho, chega ao Super Bock Super Rock depois do Parque da Cidade do Porto no NOS Primavera Sound de 2014.

#8 Ciclo ‘No Meu Cinema – João Bénard da Costa’ na Cinemateca

Bénard

No início do ano, discretamente, a Cinemateca voltou a passar os filmes queridos do João Bénard da Costa antecedidos pelas suas próprias apresentações filmadas pela Margarida Gil para a série da RTP homónima do ciclo. Passaram todos os Hitchcocks que importam e pérolas como o Sentimento de Visconti ou o One from the Heart do Coppola. A Barata Salgueiro continua a estar muito bem assombrada.

#7 Submissão, de Michel Houellebecq

Houellebecq

Um Presidente muçulmano em França. Polémicas e/ou verosimilhanças à parte, foi o livro mais bem escrito que li este ano.

#6 O BB8

BB8

Quero um. Ontem. Rouba todas as cenas em que entra no The Force Awakens e consta que também entretém gatos. É isto, Pai Natal, ouviste?

#5 Concerto Lower Dens

LowerDens

No meio da ZdB, a Jana Hunter, mentora e fundadora dos Lower Dens, disse uma coisa extraordinária. Para contextualizar uma música afirmou que “our inability to speak and confront honest emotions, no matter how intense, is one of our most problematic issues as a society”. A Jana é uma figura-tanque, pequena e compacta. Cabelo rapado, camisa abotoada até cima. É difícil descortinar-lhe sequer o sexo ou a idade. De repente, disse aquilo, frágil e vulnerável no silêncio da micro-sala da ZdB e, com isso, deu um dos concertos do ano.

#4 O regresso de D’Angelo

D'Angelo

O Voodoo – comprado (ainda) na Roma Megastore no Porto nos inícios da década de 2000 – rodou tanto no meu leitor de cds que se estragou. Tinha prometido a mim mesma que o veria ao vivo. 15 anos depois vi o meu Black Messiah em Bruxelas num concerto quase vintage com sopros de Marvin Gaye, Otis Redding, Erikah Badu e Bobby Womack.

#3 Mad Max: Fury Road

MadMax

Tom Hardy, o homem que – novamente de máscara (hello, The Dark Knight Rises) – consegue arrebatar corações no meio de um deserto futuro feminista liderado pela Furiosa da Charlize (literalmente). Engole-se areia, sente-se a sede e o calor belisca, tudo sem sair da cadeira do cinema.

#2 Fargo

Fargo-1

Para mim, foi a surpresa relutante do ano. A figura da Frances McDormand grávida estava demasiado vincada na minha cabeça. Mas os deuses do streaming legal e gratuito foram generosos e, mais uma vez em maratona, devorei a primeira temporada. Desde o casting perfeito do Martin Freeman, até aos sotaques do “Midwestern Nice” nada é deixado ao acaso pelo Noah Hawley. Ah e depois há o Billy Bob Thornton, magnífico.

#1 Olive Kitteridge

OliveKitteridge

Bill Murray e Frances McDormand numa mini-série de quatro episódios – preciso de dizer mais? Não foi a série de que todos me falaram (essa foi o Narcos), mas foi a série que vi, quase por acaso, em maratona, num fim de semana. Dizer que é um drama é redutor, falar das interpretações deixa de fora a magnífica escrita do argumento. Façam um favor a vocês próprios e vejam.

Raquel Sampaio