Top 10 de 2015 por Lúcia Gomes

Top 10 de 2015 por Lúcia Gomes

E pronto, chegámos àquela altura do ano em que toda a gente – toda a gente que é gente, toda a gente que quer ser gente e aquela gente que é a única gente que interessa – faz as suas listas. Listas, listas, listas. Top 5, Top 10, o melhor do ano, o ano em revista, etc, etc.

Este ano decidi entrar na festa da listografia e juntar-me aos textos sobre 2015 que, francamente, foi um ano que cinematograficamente me passou um bocado ao lado, musicalmente idem, safando-se muito pouco. E, posto isto, encontro pouca coisa a que possa chamar de melhor a não ser coisas que só me dizem respeito a mim e que resultaram de acções directas minhas (presunção e água benta…) que presumo que sejam de desinteresse total e absoluto de quem nos lê.

Ora assim faço um top do mau, pior e do péssimo, boa? E esforçar-me-ei para pontuar devidamente, do mau para o péssimo. Ora aí vai!

#10 Boyhood, de Richard Linlkater

boyhood

A sério? Um filme que demora quinhentos anos a ser feito, uma estopada que dá vontade de dormir não fossem as cadeiras de cinema pouco apropriadas e ainda ter que os haters, blá blá blá. Boyhood é mau, é chato, não traz nada de novo. Podia ser um conjunto de cassetes de VHS que muito boa gente que era rica fazia com os vídeos dos natais, baptizados, casamentos e comunhões.

#9 Praia do Futuro, de Karem Aïnouz

PraiaDoFuturo

É com bastante pena que este entra no mau – Praia do Futuro, que estreou em 2014 no Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira mas apenas chegou ao circuito comercial em 2015 é chato, lento, com um argumento demasiado disperso e nem o Wagner Moura o salva. Reparem: «Você veio para Berlim só para tomar no cu?». Resume-se a isto.

#8 Cop Car, de John Watts

CopCar

Cop Car marca o regresso de Kevin Bacon. E é isto: ele regressa, perde o carro de polícia, mete-se noutro carro e vai procurar o carro de polícia. Pelo meio há tiros. Isto depois da série incrível Os Seguidores, cancelada (maaaal, muito maaaal cancelada), levar com um Kevin Bacon magro a andar de carro por uma cidade americana no meio do nada não é fixe. E depois dizem os organizadores do Motelx que é um dos melhores do festival. Ok, amigos.

#7 Filmes portugueses novos com nomes de filmes portugueses antigos

Leão

É só mesmo isto. Shame on you Miguel Guilherme, César Mourão, Dânia Neto, Sara Matos, Rui Unas, Manuel Marques e Anabela Moreira. E os outros todos do novo. E dos que parece que vêm a seguir.

#6 O Cavaco

Cavaco

#5 A compra da Lucas Films pela Disney

starwarsdisney

Conseguiram estragar o Tim Burton e transformaram Star Wars em canecas, torradeiras, chuveiros, tomadas, máquinas de waffles, anúncios de carros, caixotes do lixo e todos os tarecos que se possa imaginar. Passou de cultura geek a cultura popchunga. E, provavelmente 70% não viu nenhum dos filmes e só gosta porque o Markl gosta.

#4 A lei da cópia privada

Não é maravilhoso termos que pagar uma taxa (???) por cada CD, pen, computador, tablet, disco externo, impressora, telemóvel (…) porque estamos a pagar as fotografias, músicas, filmes, etc, que vamos armazenar porque eventualmente poderão ter direitos de autor (o quê? nem eu percebi o que escrevi). Entre 0,004 cêntimos (por gigabite) e 20 euros, podemos estar a pagar só para guardar as fotos que nós tiramos ou as impressões dos nossos textos. É absurdo, é estúpido e não conheço nenhum autor que tenha recebido nada.

#3 Her, de Spike Jonze

her

Batota. Basicamente fiz este post só para poder dizer mal do filme. Her estreou em 2014 e para fingir que cabe aqui, vamos dizer que o vi em 2015. Um filme que podia ser uma reflexão tremenda sobre a tecnologia e a sua influência na humanidade (aqui considerada como o ethos e o pathos individuais e o seu reflexo comunitário) – veja-se a incrível Black Mirror (talvez a melhor série de sempre) – é uma pornochachada de demasiados minutos em que Joaquin Phoenix é superado pela inteligência artificial (e aqui é mesmo literal) de Scarlett Johansson. Um suplício de filme que me traumatizou bastante.

#2 O Cavaco (sim, duas vezes)

 

#1 Racismo e Xenofobia e o ascenso de fenómenos fascistas pela Europa e pelo mundo

siria (1)

Síria, França, Líbano, Palestina. Manifestações contra os refugiados. Ataques terroristas. Proibição de manifestações pacíficas em Paris uma semana depois. Detenção de manifestantes. Suspensão de liberdades. Manifestações de extrema direita pela Europa abertamente incitando ao ódio a pessoas de nacionalidade e cor diferente. Uma humanidade desumanizada e doente. Que nenhuma realidade cinematográfica supera, nenhuma música descreve, nenhuma peça de teatro representa. Porque é de tal forma abstrusa e assustadora que ninguém se atreve a reproduzi-la.

Lúcia Gomes

Tem opinião sobre tudo.
É uma perigosa subversiva.
Não gosta de Woody Allen nem de governos de direita.
Adora frio e chuva.