Top 10 de 2015 por Miguel Correia de Sá

Top 10 de 2015 por Miguel Correia de Sá

Elencar o melhor do que é produzido na área de moda este ano é uma tarefa árdua e cuja competência – num plano mais modesto – sinto que não me cabe a mim, mas aos críticos da especialidade. Por outro lado, é permente a necessidade de destacar o trabalho dos criadores portugueses, que dia-a-dia – alguns sem muitos apoios, sem muitas condições de produção, mas com uma criatividade e qualidade excelentes, de igualar ao que é produzido lá fora – trabalham arduamente para levar a indústria da moda a bons portos. Aqui ficam as minhas escolhas, restando-me desejar os votos de um ano próspero para os criadores, repleto de muito trabalho.

#10 Carolina Machado – ModaLisboa

#10 Carolina Machado – ModaLisboa

Bare, uma coleccção que nasce através do conceito de antropocentrismo e da consciência que o ser humano tem de si mesmo. Para a primavera/verão’16 a criadora escolheu como matéria-prima a ganga, complementada com linho e olho de perdiz. A paleta de cores desenvolve-se numa gama de azuis com pequenos apontamentos de bege, fazendo referência à fotografia de Peter MacDonald do transbordo do rio Eyre na Austrália. É no estruturalismo e detalhe das peças e dos coordenados que atribuo o meu lugar 10 à Carlota Machado.

#9 Estelita Mendonça – PortugalFashion

#9 Estelita Mendonça – PortugalFashion

Detentor de um poderio que eu considero incrível no menswear, Estelita Mendonça trouxe-nos para as duas próximas estações uma colecção de tons terra, onde a irreverência e ousadia no masculino se fizeram notar mais uma vez. Estação após estação é impossível contestar a mestria com que este criador trabalha o homem e apresenta colecções de incrível qualidade.

#8 Duarte – ModaLisboa

#8 Duarte – ModaLisboa

Animan, é o reflexo do apelo sexual do Homem como animal, a sua luta pela sobrevivência, onde o melhor macho consegue ter descendentes. O conceito de natureza VS tecnologia é explorado através do uso de materiais com diferentes características. Os reflexos metálicos representam o seu lado racional: a necessidade para criar e construir, o elo entre o planeta Terra e o homem, chamado arquitetura. Da colecção de Ana Duarte é importante destacar o grande foco em técnicas clássicas de alfaiataria e bons acabamentos, combinados com uma estética de luxo, materiais de alta qualidade e um design arrojado.

#7 Nuno Baltazar – PortugalFashion

#7 Nuno Baltazar – PortugalFashion

Uma história contada por Nuno Baltazar e protagonizada pela mulher europeia num safari africano ao estilo de Meryl Streep e, ao mesmo tempo, o contacto com uma tribo africana. Uma palete de tons terra, maquilhagem com cores vivas e a elegância – mesmo que num safari – trazida pelo criador, são as sugestões e as chaves para a próxima estação. A escolha de coordenados todos num só print, que para mim é uma tendência intemporal, fez também parte da escolha de Nuno Baltazar para este top.

#6 StoryTaylors – PortugalFashion

#6 StoryTaylors – PortugalFashion

Apresentações teatralizadas, entradas encenadas e ao estilo de um livro de contos, eis a ambiência habitual de um desfile de StoryTaylors. Para esta colecção, pautada por tons de branco, azul e cinza, os criadores trouxeram-nos uma fusão de três histórias: “A lenda das três mouras encantadas”, “A história de Santa Joana Princesa” e “Os Lusíadas“, arrancando assim Luís Sanchez e João Branco aplausos de pé por parte do público. O meu aplauso vai para esta colecção, que lhes conferiu o sexto lugar.

#5 Alves/Gonçalves – PortugalFashion

#5 Alves Gonçalves – PortugalFashion

Confesso que quando vi esta colecção nos bastidores pela primeira vez não me chamou muito a atenção, mas os criadores portugueses surpreenderam-me. Uma colecção onde o feminino, a provocação constante e a nudez semi-escondida foram uma presença constante em coordenados pautados com um ritmo urbano actual, ritmado com sons mais underground. As mesclas entre o urbano, o casual-chique e a fronteira ténue com o Oriente valeram a Alves/Gonçalves os meus louros.

#4 Banda – ModaLisboa

#4 Banda – ModaLisboa

Agora já dentro da inspiração ocidental a 200%, Lixas-me os discos foi o mote de Banda – pela mão de Tiago Loureiro – para esta estação. Inspirada pela cinematografia nipónica de ’50, a marca traz-nos um  Japão do Pós-Guerra, mergulhado no processo de ocidentalização, depois de um conflito amplamente fracassado. Um olhar sobre as convenções culturais, onde as silhuetas flutuam entre a estruturação e a leveza da fluidez, desconstruindo algumas peças de vestuário tradicionais japonesas.

#3 Carla Pontes – PortugalFashion

#3 Carla Pontes – PortugalFashion

Alga foi a proposta de Carla Pontes para a próxima estação. A designer nortenha remete as suas inspirações para a simplicidade contemporânea, o apuramento formal, confluindo numa linguagem minimalista, com apontamentos de carácter urbano. A paleta cromática deu especial enfoque ao azul marinho e azul Yves Klein -, aos cinzas e nudes quer nos tecidos, quer nos padrões de mescla oriental. A consistência desta criadora colecção após colecção valer-lhe-ão – numa esperança minha – a rápida ascensão à passerelle principal do Portugal Fashion.

#2 Cristina Real – ModaLisboa

#2 Cristina Real – ModaLisboa

Lavoisier disse um dia “Na vida nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” e foi com essa premissa que Cristina Real nos apresentou Mineralis. Fruto da inspiração proveniente das rochas, a criadora aproveitou as suas cores e reflexos como paleta cromática para esta estação. A presença de detalhes como os contrastes entre brilhos e opacos e a presença de diferentes materiais, tais como: camurça, organzas de seda, pele envernizada, fazenda, veludo, denim e neoprene, ditaram as tendências para o outono-inverno’15. De destacar ainda a presença – na minha óptica – revivalista em muitos destes coordenados, remetendo para uma estética dos anos 70, nomeadamente na estrutura dos casacos, vestidos e sobretudo, no calçado apresentado.

#1 CarlotaOms – ModaLisboa

#1 CarlotaOms – ModaLisboa

Por fim, mas não menos importante, até porque encabeça o meu top deste ano, está CarlotaOms. Estreante no Sangue Novo da ModaLisboa, a designer trouxe-nos Alegoria, uma representação visual de ideias abstractas cuja imagem é puramente conceptual.  Esta alegoria conceptual é notória nas linhas retas que se cruzam entre si, nos padrões, na luminosidade do amarelo e nos bordados, forçando o preto e branco – identidade da marca. Aos coordenados amarelos atribuí nota 20, fazendo com que fechassem – com chave de ouro – as minhas escolhas de 2015!

Stylist Freelancer desde 2013. Amante de moda e estudante de História da Arte. Um profundo incompreendido acerca das pessoas, mas que não resiste a um bom par de calças à pescador. Diz que escrevo sobre moda aqui desde Dezembro de 2014.

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