Horas Decisivas (The Finest Hours)

Horas Decisivas (The Finest Hours)

Horas Decisivas

Em 1952 a guarda costeira realizou o mais impressionante resgate marítimo feito por um pequeno barco, no meio de uma tempestade violenta sem precedentes e, em 2016, Craig Gillespie realiza um filme inspirado nestes factos. Um pouco como o barco na história, o filme vai-se afundando aos poucos, entre situações que desafiam as leis da física e personagens disconexas pelas quais é impossível sentir qualquer tipo de ligação. Salvo por alguns momentos que puxam a emoção e por alguns efeitos visuais interessantes, Horas Decisivas acaba por nunca bater no fundo, mas não por muito.

HorasDecisivas

Os primeiros minutos de filme servem para nos apresentar as personagens, Bernie Webber (Chris Pine), parte da guarda costeira, e Miriam (Holliday Grainger), que temos de acreditar que têm uma relação forte, que em nenhum momento convence. Saltamos, repentinamente, para um navio que se está a afundar no meio de uma tempestade, com uma tripulação que falha em transmitir qualquer emoção. Ficamos apresentados às duas partes do filme e são penosos e longos os momentos que antecedem a missão de salvamento. Pelo meio, conhecemos uma série de personagens secundárias inseguras, indecisas e perdidas no argumento.

Há duas partes no filme que contrastam em demasia: a força da natureza, com planos agressivos, onde é possível sentir a força e seriedade da tempestade retratada e a fraqueza das personagens, passivas, sem alma ou conteúdo, pelas quais é impossível sentir qualquer empatia. Somos levados a querer que estão a ser retratados feitos heroicos por personagens fortes que, com mais ou menos sorte, levaram a cabo uma missão quase impossível, mas o que realmente nos surge no filme são personagens incapazes com uma sorte tremenda e uma capacidade de distorcer as leis da física. A mensagem não é transmitida e esse é o maior erro de Horas Decisivas.

HorasDecisivas (2)

Há cenas bem filmadas, na parte natural do filme, que conseguem dar alguma emoção à história retratada, mas quase sempre são cortadas com diálogos ridículos ou situações desprovidas de sentido. Os factos reais que inspiram o filme são realmente impressionantes, mas mal retratados no grande ecrã, com um trabalho que muitas vezes parece desleixado. Não é um bom início para os filmes de 2016.

3estrelas

 

Sandro Cantante

Adepto com H grande de videojogos e cinema. Gosto de bons filmes e de bons jogos, acima de qualquer género ou plataforma. Uma pessoa simples que gosta do que é bom apenas.