Músicas da Semana #179

Escolhas de Daniel Catarino:

DavidBowie

David Bowie – Girl Loves Me
A melhor canção que ouvi em 2015, e até ver em 2016. Detesto fazer apanágio dos “velhos” em detrimento dos “novos”, mas havia em Bowie uma essência inalcançável, e acho que temos todos uma lição a tirar de “Blackstar”, de inconformismo e rebeldia, de risco e reflexão, sobretudo de identidade e busca da nossa própria essência. O velho de 69 anos mostrou aos putos de 20 como se criam grandes canções que ficam na cabeça sem facilitismos nem cedências. Dou por mim diariamente a cantarolar ou assobiar “Girl Loves Me”. Obrigado por tudo.

Motörhead – Orgasmatron
Sou um enorme fã do Lemmy e dos Motörhead há muitos anos. Adoro a simplicidade das canções e a atitude de seguir o seu próprio caminho, de ser um gentleman e um bárbaro em palco simultaneamente. Os Motörhead nunca se tornaram psicadélicos, hair rock, grunge ou rap metal para ficar na moda. Seguiram o seu caminho, foram os maiores, ninguém lhes ligou peva, voltaram a ser os maiores, mas sempre iguais a si mesmos. “Orgasmatron” é um hino contra os valores instituídos da religião, política e guerra, uma grande malha que dá vontade de viver para sempre. Por estas e muitas outras é que Lemmy não morre nunca.

The Brian Jonestown Massacre – What You Isn’t
Quando recentemente voltei a ouvir o “Revelation” dos Brian Jonestown Massacre, dei por mim a pensar que isto é o que os Tame Impala queriam fazer mas não conseguem. Esta banda tem tanto de loucura como de génio, e este disco tem sido uma companhia fantástica nas viagens para os concertos pelo país. Este tema é aquele a que mais me colo, mas todo o disco merece audições contínuas.

JJ Cale – Let Me Do It To You
Há meses que ando a explorar a discografia deste mestre, que infelizmente só descobri a sério pouco antes do seu desaparecimento. O disco “Troubador” estará certamente na minha lista de melhores de sempre, e este tema com um só acorde e letra de uma só frase é um óptimo exemplo da genialidade do senhor.

Godspeed You! Black Emperor – Peasantry or ‘Light! Inside of Light!’
Os GY!BE são os maiores monstros da música instrumental, do post-rock, chamem-lhe o que quiserem. Nunca hei-de esquecer o concerto deles em 2002 no Teatro São Luíz, em que tive de dormir ao relento num campo de futebol porque fui sozinho do Alentejo. O novo disco apareceu-me de surpresa, e embora seja o mais directo deles, a qualidade na criação de monstrinhos continua lá. Este tema é absolutamente viciante, e apetece ouvi-lo repetidas vezes. É exactamente isso que tenho feito.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

Deftones

Deftones – Prayers/Triangles
Nesta semana os Deftones decidiram mostrar Prayers/Triangles, o primeiro avanço do próximo álbum Gore, e desde então tem rodado por aqui repetidamente. Promete.

Violent Soho – Viceroy
Os Violent Soho também disponibilizaram para audição durante a semana que passou uma das músicas do seu próximo álbum. Viceroy é uma canção tipo da banda, sem que isso seja uma coisa má, pelo contrário.

Aluk Tudolo – 8:18
Parece-me que não faz sentido escolher uma música do novo disco do trio francês Aluk Tudolo quando a divisão entre temas existe apenas por existir. Voix é para ser ouvido como um todo e vale a pena. Para questões oficiais fica a 8:18 porque dá início a mais um dos bons álbuns que 2016 já nos ofereceu.

Filho da Mãe – Um dedo menos
Rui Carvalho é um Filho da Mãe ocupado. Este mês edita com Ricardo Martins o excelente álbum Tormenta, e em Março mostra o seu terceiro longa-duração a solo. O exímio guitarrista tem em Um dedo menos a primeira amostra do álbum que o fará voltar à estrada em breve.

PAUS – Mo People
O Spotify estreou esta semana Mitra, o novo álbum dos PAUS, e a Mo People tornou-se facilmente uma das minhas preferidas.

Escolhas de Andreia Vieira da Silva:

Myrath

Myrath – Merciless Times
Esta banda – que estará em Portugal para acompanhar os grandes Symphony-X – conjuga o metal progressivo com a música típica árabe e isso resulta numa mistura explosiva e rica. O chamado “Oriental Metal”. Muito bom. Lembra uma fusão entre Kamelot e Orphaned Land. Esta faixa é um dos singles do álbum Tale of the Sands.

Myrath – Sour Sigh
Mais outra da mesma banda e do mesmo álbum. Bom solo de guitarra, boa voz. Este álbum é uma espécie de “As Mil e Uma Noites” do metal.

Machine Head – Imperium
É a minha favorita desta banda que amanhã irá deitar abaixo o Coliseu dos Recreios.

Symphony-X – Set the World on Fire (The Lie of Lies)
Mais outra banda que se apresenta no nosso país neste mês de Fevereiro. A não perder, um clássico do metal progressivo.

Beyoncé – Formation
Sim, depois do metal todo vem isto. Esta mulher lança um vídeo ou um single novo e a intenet fica doida. Mais uma vez, Beyoncé lança um disco com um styling irrepreensível e com um beat que fica no ouvido.

Escolhas de João Neves:

Aphex-Twin

Aphex Twin – Sloth
O mítico. Com uma simplicidade que se torna complexa e uma pureza impressionante e de pensar que tem já mais de 20 anos.

Seabear – The Sounds You Make
Voltando à simplicidade mas desta vez num âmbito ligeiramente diferente, mas nem por isso menos interessante.

Peixe:avião – Quebra
O novo single dos Peixe:avião foi talvez a mais rodada da semana e é um excelente exemplo do novo álbum que aconselho vivamente a audição.

Calibro 35 – Giulia Mon Amour
Já fazia tempo que não ouvia os Calibro 35. Abriram a parte mais rock’n’roll da semana.

White Stripes – Icky Thump
…e depois vieram os White Stripes que já fazia muito tempo que não ouvia. Trouxeram com eles este hino!

Escolhas de Vera Brito:

Explosions In The Sky

Explosions In The Sky – Disintegration Anxiety
Primavera Porto 2012, eu munida de galochas e impermeável preparada para a intempérie que o dia prometia, mas não para a pior de todas: o cancelamento repentino dos EITS. Regressariam na edição seguinte e eu sem conseguir ir… Este ano vai finalmente ser o meu ano de EITS e Porto! A aguardar pacientemente por Junho e pelo novo álbum de onde já saiu esta bonita e assimétrica “Disintegration Anxiety”.

Animal Collective – Brother Sport
O cartaz deste Primavera não seria mais perfeito para mim nem que fosse eu a fazê-lo. Os Animal Collective são outra banda que me tem feito esperar e desesperar por ver ao vivo. Se eu viajar para outro planeta quando tocarem esta “Brother Sport” e não regressar, não se preocupem porque estarei seguramente num sítio bem melhor.

Sigur Rós – Með suð í eyrum
Já estou a visualizar a simbiose perfeita que será a delicada música dos Sigur Rós no bonito cenário do parque da cidade do Porto. Vou levar lenços porque antevejo abrir a torneira muitas e muitas vezes.

PJ Harvey – We Float
Mais um disco pedido e mais um concerto e álbum para aguardar pacientemente.

Savages – Adore
Porque já em 2015 eu contava os dias para este novo álbum das Savages que será certamente do melhor deste 2016. E porque toda a gente deveria pelo menos uma vez na vida ver estas quatro mulheres a destruir todos os conceitos e preconceitos em cima de um palco, a próxima oportunidade é já nesta bonita primavera que aí vem.

Escolhas de Ricardo Almeida:

#5 Scott Kelly

Scott Kelly – Push Me On to the Sun
Fanboy que é fanboy aguarda pelo fim-de-semana para ouvir isto pela primeira vez. É difícil explicar o que senti quando o vi pela primeira vez no Alquimista. Das centenas de concertos a que já assisti nenhum me afectou tanto como aquele.

Aluk Todolo – VOIX
Erro crasso o de nunca ter dado a devida atenção a estes senhores. A energia e a dinâmica do jazz mais irreverente, o abandono catártico do rock psicadélico e do kraut, o mistério e o apelo do primordial do metal mais abstracto e atmosférico… Um grande “sim!” para estes franceses.

ISIS – Dulcinea
Às vezes pergunto-me se os ISIS ainda são a minha banda preferida. Hoje em dia não os escuto tantas vezes como gostaria, mas bastou voltar a pegar neste disco – agora que mandei vir da Polónia a primeira edição em vinil por um preço irrecusável – para perceber que sim, ainda são “a banda”.

Whirr – Leave
Terça ou quarta-feira, não sei, tive de acordar mais cedo para ir tratar de umas coisas. Só entrava às 13:00 pelo que tive, finalmente, tempo de me sentar numa esplanada a levar com o sol na tromba e a beber café enquanto folheava as 650 páginas de “The Complete Short Stories of Ernest Hemingway”. A vida devia ser isto: apanhar sol no inverno e ler Hemingway.

Belong – A Walk
Mais um domingo. Não me apeteceu acordar “cedo” para ir almoçar “à da minha avó”, como dizem os Shivers, mas fui lá ter depois. Conclusão, almocei dobrada às cinco da tarde e depois fui dar uma volta pelo mato lá para os lados da Serra da Arrábida enquanto ouvia isto e o sol desaparecia no horizonte.

Arte-Factos

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