Machine Head no Coliseu dos Recreios (08/02/2016)

Machine Head no Coliseu dos Recreios (08/02/2016)

Machine Head

A banda de Oakland, apresentou-se mais uma vez no nosso país, desta vez para uma data dupla no Porto e em Lisboa. No Coliseu dos Recreios e sem banda de abertura, pelas 21h deu-se início a mais um concerto da tour An Evening With Machine Head. Esta digressão é uma série de espectáculos especiais, que muitos rogaram que falharia, nas palavras do próprio Rob Flynn. No entanto, ressalvando que havia somente um nome como isco para o público, este chegou para encher ambos os recintos. O resultado seriam cerca de 2h30 de um espectáculo que revisita os grandes clássicos e que se assume como “intimista”, na medida em que é apenas a banda e quem quer realmente ver um concerto da mesma.

Satisfazendo a ansiedade geral, à hora marcada, as quatro figuras de peso surgem em palco para abrir as hostes com a poderosa “Imperium”, do álbum de 2003, Through the Ashes of Empire. Segue-se “Beautiful Morning” a trazer o bem sucedido The Blackening à baila.

Da visita ao passado, voltamos ao presente, como seria expectável. O novo registo Bloodstone & Diamonds é um chamariz de novos fãs, como se pôde comprovar, com a camada mais jovem a vibrar e a debitar a letra de cor de “Now We Die”.

Voltando a 2003, trazem-nos “Bite the Bullet”, um hino ao headbang. Impossível não bater nem que seja o pézinho. Interlaçam-se as relativamente recentes “Locust” ou “This Is the End” com faixas já mais velhinhas, como “Ten Ton Hammer” do cru e mais nu-metal The Burning Red e a arrebatadora “The Blood, The Sweat, The Tears” que o público conhece bem e clama em bom som.

Como é sabido, Rob Flynn gosta de discursar durante os seus concertos. Conta-nos que um dos concertos mais electrizantes que a banda deu foi em 2009, aquando do Rock In Rio, numa noite em que abriram para uma das suas referências de sempre, os Metallica.

Depois de um solo, que de nada de especial se tratou, por parte de Phil Demmel, vamos até “Darkness Within”, tema em que as incitações de Rob Flynn ao circle pit continuam e o público responde como esperado. Segue-se um poderoso solo de bateria oferecido por Dave McClain, aperitivo para a clássica “Bulldozer”. “Killers & Kings” é um dos singles do novo álbum, que poderá não dizer muito aos fãs veteranos, mas que ainda assim arranca um bom circle pit da multidão.

Rob Flynn, eterno comunicador, continua embasbacado com a retribuição portuguesa e com um Coliseu que demonstra a sua fome de música, batendo com os pés no chão, cantando um “Allez allez” ou gritando “Machine-fucking-head” em uníssono. O músico diz-nos que somos incríveis porque apesar de já estarem a tocar há algum tempo, a nossa energia continua a subir e não nos cansamos. Questiona-se como foi possível não tocarem em Portugal desde há 4 anos.

A obrigatória “Davidian” não podia ficar nunca de fora e volta a pôr de novo todos em sintonia, relembrando a força que os Machine Head são realmente. E parece que para o final ficaram todas as grandes faixas que esperávamos, como “Descend the Shades of Night”, “Now I Lay Thee Down” e “Aesthetics of Hate” todas festejadas em grande força.

A fechar estão “Game Over” do registo mais recente e “Old” de Burn My Eyes. Como não podia deixar de ser, a – talvez – mais aclamada faixa de Machine Head, “Halo” é deixada para o fim, terminando em grande 2h30 de um concerto que deixa mais uma vez assente que a música pesada move multidões e tem um mercado bem vincado e fiel. Os Machine Head, esses, ficaram mais uma vez com a garantia de que em Portugal têm um público que não desmorona.

Faço uns rabiscos aos quais gosto de chamar ilustrações. Escrevo e tiro umas fotografias. Modelo ocasional. Designer.

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