Entrevista a Obellycious

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©Edite Queiroz // Da esq. para a dta.: Raquel Correia, Carlos Zagalo AKA Big Zee, Niikuty Rodrigues, Ricardo Rosa AKA Funky Ricky

Marco “Obelixx” Menezes é o nome de quem está por detrás de um projecto internacional que agora chega a Portugal, seu país de origem. É na Bélgica que vive há cinco anos e onde criou uma plataforma de dança, a Obelixx Popping Factory. “O objectivo era criar uma ponte entre os “grandes” da dança e os mais “novinhos”. A partir daí, comecei a gostar de fazer empowerment a vários tipos de artistas e dançarinos de todos os estilos, Bellydance inclusive… Antes disto, comecei um projecto chamado Pandora’s Oboxx ® Soul and Movement Design, onde fiz uma experiência social: recrutei vários bailarinos de vários países e comecei a ensinar por Skype e através de vídeos”, explica Obelixx. “Escusado será dizer que os países mais pobres são os que têm os melhores bailarinos… Porque a dança é mais forte… Eles vivem-na, não a compram… e desde então comecei a expandir os ramos do meu projecto, ou seja, Talent Consultant poderia ser um nome para o que eu faco…”, responde quando lhe pergunto sobre o seu percurso e como tudo surgiu.

Dança há cerca de 23 anos e já passou por vários estilos, do Popping ao House, do Hip-Hop ao Afro e mais recentemente experimentou uma fusão de estilos com Tribal Bellydance. E é mesmo este o ponto de partida de Obellycious, um grupo de fusão de danças urbanas com danças orientais, nomeadamente Tribal Bellydance. “O grupo Obellycious foi criado na Bélgica há dois anos e foi uma explosão de talento e diversidade… O objectivo deste projecto é unir diferentes ideias, pontos de vista, histórias e relacionamento pessoal com a dança e movimento em si…”, acrescenta Obelixx.

Para além da Bélgica, o projecto já está activo na Alemanha, em Itália, na Finlândia e no Canadá. Foi agora a vez de Portugal. Raquel Correia, Carlos Zagalo AKA Big Zee, Niikuty Rodrigues e Ricardo Rosa AKA Funky Ricky formam o grupo Obellycious no nosso país. O projecto ainda está no início, mas promete vir a ser uma revolução nas danças de fusão em Portugal.

“O universo da Dança para mim é um jogo de xadrez: eu junto os peões, as rainhas, os bispos e os reis para poder fazer cheque-mate.. Cheque-mate sendo… realizar os sonhos deles por maneiras que eles desconheciam e a que eu dou acesso.”. Fomos perceber como tudo começou e quem são os Obellycious portugueses…

Qual o background de cada um? Dedicaram-se sempre à dança profissionalmente?

Raquel – Quando eu era criança não sonhava ser bailarina, o que eu queria era algo relacionado com cinema. Tirei o curso de Som e Imagem nas Caldas da Rainha e depois tirei um curso de pós-graduação na Restart. Um dia  experimentei uma aula de dança oriental e gostei, não me apaixonei verdadeiramente, mas quando vi fusão tribal através de vídeos, aí apaixonei-me realmente e fui procurar saber mais. Quando estive em Erasmus cheguei a ir ao estúdio da Morgana [sobre Morgana: aqui], ainda tive aulas lá e gostei imenso. Quando acabei o curso e tive oportunidade, comecei a investir verdadeiramente na dança. Fui trabalhando cada vez mais e foi surgindo a oportunidade de dançar profissionalmente.

Big Zee – Isto começou há muitos anos atrás, tinha eu 12 anos e comecei a ver que tinha uma veia para a dança, através das danças africanas. O núcleo com quem eu convivia mais era pessoal do bairro e era mais as danças africanas que se dançava. Depois, a certa altura da minha vida desisti e foquei-me no trabalho. Até um dia em que, aos 22 ou 23 anos, a minha patroa deu-me a oportunidade de trabalhar numa cena de anos 50, e eu aceitei e arrisquei nesse trabalho. As pessoas com quem trabalhava, o Quico. a Liliana Garcia e o Cesarini, três pessoas conhecidas no mundo da dança, motivaram-me a ter mais formação, a procurar algo mais, e foi quando procurei formação. Procurei o meu estilo – encontrei o Locking, que foi uma experiência muito boa, mas que percebi que não era aquilo, depois cheguei ao Krump. Já tinha visto Krump, mas na altura, em 2000, era uma coisa muito crua, ainda não estava muito explícito para mim o que era, por isso não foi logo aquele amor imediato. Há três anos atrás, a coisa começou a formar-se, comecei a ter formação com o Dougie, entrei no grupo dele, Knight Fam, e a partir daí foi sempre a crescer, fui lá fora – França, Alemanha – formei-me com os criadores do estilo, Tight Eyez, Big Mijo, e lá fora foi quando comecei a gostar realmente de Krump, porque conheci realmente a cultura e a comunidade Krump e percebi que era uma coisa para o futuro.

Niikuty – Eu sempre gostei de dança, nada em específico. Quando era mais nova passei por várias modalidades: Hip-hop, Danças Latinas, Ritmos Brasileiros… Até que um dia fui experimentar Dança Oriental e a partir daí não pratiquei mais dança nenhuma para além desta. Um ano depois descobri a Fusão Tribal e foi uma área de que comecei a gostar e que comecei a desenvolver mais a tempo inteiro. Isto foi há cerca de 8 ou 9 anos. Até lá, não tinha feito nada profissionalmente, ia dançando com alguns grupos, e desde que vim para Lisboa, há 4 ou 5 anos, comecei a ter formação mais a sério e fiz formação com algumas bailarinas internacionais cá e lá fora. Há cerca de um ano comecei a fazer Burlesco, numa fusão Vintage Bellydance, que possivelmente vai revolucionar aquilo que eu vou fazer daqui a uns tempos. Ou seja, faço uma mistura de uma carrada de coisas…

Funky Ricky – Comecei a dançar em 2006, até lá não me imaginava a dançar. Depois por acaso um colega meu, João Moura, levou-me a um pavilhão onde estava uma pessoa muito carismática, o Kevin Zoltan, e a partir daí começaram a mostrar-me o mundo das danças, mais relacionadas com o mundo do Hip-Hop. Ele mostrou-me o Locking e eu odiei. Pelo menos da maneira como ele dançava. Entretanto apareceu o Youtube e foi quando eu vi os originais e comecei a pensar “isto afinal tem outro gosto”, principalmente pela música, pela energia que aquilo passava. Mas, nunca quis viver da dança, apesar de a minha vida estar agora mais ligada a ela. Houve um ano em que tentei viver da dança e percebi que não era para mim, odiei a experiência, tudo o que aquilo envolvia, e acabei por não me sentir sequer feliz nos trabalhos que fazia. Então comecei a procurar outras coisas. Neste momento, adoro estudar o corpo humano, adoro transferir esse estudo para diferentes formas de arte, dança, exercício físico, saúde e bem-estar, e isso tem-me feito muito feliz. Adoro treinar, adoro competir na perspectiva de evolução e não de tentar acabar com a outra pessoa (que há pessoas assim) e estou agora muito feliz com o grupo Obellycious.

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©Edite Queiroz

Quando e como entraram neste projecto? Como é que o Obelixx vos abordou? E como se conheceram?

Funky Ricky – Eu fui a primeira pessoa que o Obelixx abordou. Marco Menezes AKA Obelixx é um amigo meu já de há muito tempo e ele formou a Obelixx Popping Factory, na Bélgica, e depois começou a querer desenvolver o projecto mais para as danças orientais e fusões com Kuduro, Popping, House, etc. Entrentanto, ele sempre quis fazer algo no seu país de origem, porque ele adora Portugal. E a primeira pessoa a convidar para o grupo foi a Nikuty, depois falou comigo e com o Zagalo e mais tarde a Raquel entra no grupo.

Niikuty – O Obelixx falou comigo e ainda trabalhei à distância, via Skype, durante algum tempo. Só que entretanto falei com ele, porque achava um bocadinho ingrato estar a fazer as coisas sozinha, a trabalhar sozinha, pelo que ele falou com o Funky Ricky e com o Big Zee e começou a pesquisar mais pessoas para o grupo.

Raquel – O Obelixx falou primeiro também com uma amiga minha, Sabina, porque a conhecia pessoalmente e sabia que ela fazia Bellydance. Entretanto perguntou-lhe se ela conhecia mais gente, e ela falou de mim, mostrou-lhe vídeos e entrámos as duas no projecto. Ela depois saiu, porque não se identificou com o projecto.

Big Zee – Eu caí de pára-quedas. Conheci o Marco [Obelixx] num Summer Camp, demo-nos espectacularmente bem e depois o Ricardo [Funky Ricky] falou comigo, porque o Obelixx estaria a pensar formar um grupo e convidou-me a juntar ao projecto. E eu aceitei.

Obelixx publicou um vídeo em que dizia “I dance because the feeling of a smile on the face of a stranger cannot be bought” (Eu danço porque a sensação de ver um sorriso na cara de um estranho não pode ser comprada). Porque é que vocês dançam?

Big Zee (BZ) – Inicialmente, talvez comecei para mim mesmo. Com o Kuduro comecei a libertar energia. Depois o Krump já apareceu noutra fase da minha vida, já foi uma coisa diferente, já veio com outro tipo de significado. Dançar continua a ser para mim e para inspirar outros. Mas principalmente para me agradar a mim e para me sentir bem comigo mesmo. E o Krump foi o estilo com que mais me identifiquei, resumidamente.

Raquel (RC) – Para mim, sempre foi um prazer enorme aprender e dançar e quando comecei a evoluir e a perceber que conseguia fazer disto não só um hobby mas algo mais sério, para mim deixou de fazer sentido não o fazer, não dançar. Independentemente de como a minha vida se desenvolva, ou como corra, nunca deixarei de dançar. É esse o sentido que faz para mim e claro que, quando dançamos, estamos a mostrar um pouco de nós, estamos a expressar-nos e a dar um pouco de nós a um público. Para se ser bailarino, tem de se ter esse gosto, de transmitir, de expressar.

Funky Ricky (FR) – Para mim é simples. Faço isto só para mim, porque a sensação de evoluir é óptima; e consigo entender a expressão do Obelixx, porque uma pessoa, principalmente num espectáculo – e não sou muito fã de espectáculo – ao ver pessoas que não se conhece de lado nenhum com uma cara de felicidade, e percebermos que estão a ser inspiradas, que estamos a alimentar a alma delas, para nós acho que é maior vitória que podemos ter, porque são coisas que não podem ser compradas. Da minha parte, nesse aspecto sou mais egoísta, mas quem quiser partilhar comigo, obviamente que é bem-vindo.

Niikuty (NR) – Porque é que danço? Porque sempre me conheci a dançar, inicialmente de forma muito amadora, mas agora não me consigo ver sem dançar, o que quer que seja. Porque é que eu danço? A minha cabeça passa a vida a rebentar em ideias e se eu não as aplicar, se não produzir criativamente algo, que por norma vai direccionado para dança, ou expludo ou não sei… Para mim a dança é uma expressão, é uma extensão daquilo que eu sou, daquilo que se passa na minha cabeça e das coisas que me inspiram à minha volta. E, basicamente, a dança é o veículo que eu tenho para transmitir às outras pessoas aquilo que eu não consigo transmitir de forma verbal. A dança para mim serve para isso, é uma forma de eu poder sem quem sou – porque acredito que temos várias pessoas dentro de nós e então naquele determinado momento eu sou aquilo e transmito isso a determinadas pessoas. Até porque na rua não posso andar vestida daquela maneira e no palco posso fazê-lo. E sinto-me bem a fazê-lo. Se transmito alguma coisa às outras pessoas, para mim é óptimo, porque é sinal de que consigo transmitir uma mensagem a alguém – que nem sempre é quem pensamos. E também é bom para o nosso auto-conhecimento, porque assim aprendemos formas de comunicar com as outras pessoas. A dança há-de ser sempre um veículo de auto-conhecimento e de conhecimento dos outros, por conseguinte.

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©Edite Queiroz

O Big Zee disse numa entrevista que ainda estão numa fase de experimentação, e que o objectivo é fazer uma fusão de danças urbanas com danças orientais. Como está a correr todo o processo criativo? Como é que se organizam para os ensaios  e como é que estão a criar aquilo que virá a ser os Obellycious?

RC  – Formámo-nos em Setembro de 2015. Encontramo-nos todas as semanas para ensaiar. Pelo menos uma vez por semana ensaiamos. Entretanto, vamos estabelecendo objectivos e vamos fazendo espectáculos ou recebemos convites que acabamos por aceitar e que nos motivam a trabalhar.

FR – Temos algumas metas e por acaso têm surgido algumas oportunidades para fazermos espectáculos. Temos objectivos agora a médio prazo, temos um a longo prazo, que é ir à Bélgica, mas nós temos mesmo uma data – que não vamos revelar – a partir da qual vamos começar a…

NR – … A criar uma linguagem própria.

FR – Exactamente.

RC – Nós por enquanto ainda estamos a fazer uma junção dos estilos e cada um está a conhecer a potencialidade de cada estilo para fazer a fusão. E nós vamos querer começar a fazer uma fusão dos estilos e não fazer disto apenas um encontro dos estilos, que também é um conceito bastante interessante que se pode explorar e que temos explorado; mas queremos levar a fusão para diferentes níveis.

BZ – E isso tem-nos permitido explorar outros estilos. Eu por exemplo aprendo com elas, como elas aprendem comigo e eu aprendo com o Ricardo [Funky Ricky]. Cada um tem um estilo, uma energia e uma cena própria e isso é muito difícil de trabalhar, é algo muito complexo e o desafio é mesmo esse, e é por ser difícil que me suscita o interesse de saber como é que vai resultar, porque eu não faço ideia. As cenas vão acontecendo. Por agora, vamos tendo alguns projectos e vamos experimentando.

Com linguagens tão diferentes como são umas das outras, pelo menos entre os grupos Locking /Krump e Bellydance/ Tribal Fusion Bellydance, tanto a nível de origem como de expressão, é interessante perceber como se processa a fusão, porque também terá de haver alguma química e empatia entre vocês para que isso funcione. Mas processa-se de forma natural, como o Big Zee deu a entender?

BZ – Sim, não estamos a forçar.

RC – Uma coisa que acho importante é que, acima de tudo, nos respeitamos uns aos outros e acho que isso é muito importante, respeitarmo-nos não só como pessoas, mas como bailarinos e como artistas e isso é muito importante para criarmos a nossa identidade enquanto grupo.

BZ – Nós ainda nos estamos a conhecer, e há dias bons, há dias maus, há coisas na vida que acontecem e nós estamos a funcionar mais como família, estamos a juntar-nos, a conhecer-nos…

NR – Eu acho que quando temos o mesmo objectivo, o que é o caso, as coisas fluem, apesar de sermos diferentes. Acho que independentemente da multiculturalidade das linguagens que temos, temos sempre um foco comum que é o da evolução, do conhecimento e da aprendizagem e quem quer evoluir, todos os que aqui estamos, tem de ser tanto a nível de sair da zona de conforto, como a nível de manter a humildade, para percebermos o nosso lugar e o lugar dos outros. E acho que nós os quatro, apesar de sermos completamente diferentes uns dos outros, por ironia dos destinos, acreditamos todos nisso. As características que mais nos definem são essas, a vontade de querer aprender e evoluir e a humildade de percebermos o nosso espaço e as nossas limitações.

BZ – O produto final é uma incógnita.

NR – É como a vida…[risos]

BZ – Sim, e quando conseguirmos essa fusão, talvez possamos expandir o grupo e fazer um trabalho mais composto.

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©Edite Queiroz

O projecto Obellycious está activo um pouco por todo o mundo – Bélgica, Alemanha, Itália, Finlândia, Canadá, e agora Portugal. O que é que significa para vocês pertenceram a um projecto internacional desta dimensão e em que é que isso influencia a vossa forma de estar no grupo e os vossos objectivos finais?

NR – Responsabilidade e compromisso.

RC – Eu acho que o objectivo do Obelixx em fazer este grupo em Portugal, e nos diferentes grupos, é fazer um intercâmbio entre todos e, aliás, vamos à Bélgica por isso mesmo, mas nós enquanto Obellycious Portugal funcionamos de forma independente dos outros grupos Obellycious. Temos o Marco [Obelixx] em comum, que nos dá algum acompanhamento, ainda que menor do que aquele que dá na Bélgica, mas é ele que é a linha condutora de união dos grupos. Mas a parte de fazermos parte de um grupo internacional ainda vamos descobrir, quando formos à Bélgica, porque ainda não temos essa percepção.

BZ – Ainda não temos essa percepção. Temos de representar bem a cena… É uma responsabilidade para com pessoal que já anda nisto há mais tempo do que nós. Acho que a ficha só me vai cair quando lá for e conhecer os outros grupos. Para já, não sinto qualquer tipo de pressão.

Quais são as vossas expectativas pessoais em relação a este projecto?

RC – No meu caso, e eu inicialmente não os conhecia, apenas a Niikuty muito geralmente e conhecia o trabalho dela porque nos íamos encontrando nos vários eventos de Fusão Tribal. Para mim poder trabalhar com pessoas diferentes, num projecto que me possa desafiar, que me faça evoluir – e respeito o trabalho deles, e gosto do trabalho  deles – significa que o intercâmbio será sempre positivo.

BZ – Eu sou um aventureiro,  e quando entro numa cena gosto de me focar e de me empenhar ao máximo, a 100%. Não gosto de dar nem 50%  nem 30%, se é para dar é para dar. Então, quando eu vi o grupo de pessoas inicial, o Ricardo [Funky Ricky] e o Marco [Obelixx], e como sou maluco disse “bora, vamos fazer isso”. O que é que o projecto me poderá dar no futuro? Eu não espero ser famoso ou reconhecido, só quero que o meu trabalho siga, que eu consiga dançar. Deus queira que os Obellycious cresçam, que de futuro consigamos fazer disto uma companhia… isto é o meu sonho, porque eu agora quero ser coreógrafo. É uma pancada que eu agora tenho, quero coreografar, quero aprender mais sobre essa área, não é só dançar, para poder também dar uma outra oportunidade ao grupo e também a outras pessoas que estão ainda a começar, que precisam de se encontrar. A nova geração… Por exemplo, eu adorava pegar nisto e pegar no meu grupo de Krump e fundir isto tudo, pegar numa cena só de Locking e fundir isto tudo, pegar numa cena só de Burlesco e fundir tudo… É ver quantas opções eu tenho e quanto proveito posso tirar daqui e, mais uma vez, para mim, porque eu danço para mim.

NR – Somos todos uns egocêntricos. [risos]. Dançamos para nós próprios, mas saímos de casa, é parte gira disto… É coisa típica de artista, do querer mostrar e não querer mostrar ao mesmo tempo.

Bem, eu não vou acrescentar grande coisa ao que eles disseram. Eu estou cá por tudo o que disse e por tudo o que vier de positivo – e de negativo, porque evoluímos com as duas coisas – principalmente porque acho que é um projecto que pode crescer e é diferente de todos os trabalhos que tenho feito até agora, onde aprendemos e podemos transmitir, que é uma cena que não acontece em muitos grupos de dança. Nós os quatro sermos todos coreógrafos e dançarinos, tudo isso e nada disso simultaneamente, é um desafio bastante grande, acho que vai ser bastante produtivo. Temos evoluído bastante, tanto a nível de dança como pessoalmente temos aprendido imenso.

FR – Eu vivo num dilema, porque eu não gosto de espectáculo, odeio, infelizmente é assim, mas estou no grupo porque o Obelixx é um grande amigo meu, e também estou envolvido noutros grupos, como os FunkyMonkeyZ, mas o que pretendo realmente no grupo é tentar dar aquilo que eu posso dar. Não me vejo a actuar durante muito tempo, porque não o vou estar a fazer se não me sinto sequer bem, mas posso dar o meu contributo, e isso eu gosto, gosto de ajudar, de motivar, de estar nos bastidores,… Porque é algo que não é tão rotineiro, como o espectáculo.

NR – O Ricardo [Funky Ricky] vive num universo paralelo. [risos]

FR – A questão agora é, eu gosto de estar com eles, principalmente porque são boas pessoas, são excelentes pessoas e isso motiva-me a estar com eles. O que é que isto me traz? Os desafios são conhecer a psicologia das pessoas, diferentes filosofias. Tenho ideias para a minha dança quando eles estão a criar – como o corpo se mexe, dentro desses parâmetros, como evolui… E eles inspiram-me, talvez não o saibam, mas inspiram-me. Às vezes pequenos gestos, um olhar, dá para fazer algumas coisas. Obviamente não vou ser hipócrita e dizer que não gosto de estar com eles, mas ainda estou à espera de encontrar o meu próprio caminho dentro do grupo. É essa a minha grande expectativa.

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©Edite Queiroz

Já têm espectáculos agendados que nos possam adiantar?

RC – O nosso próximo espectáculo vai ser em Março, na Hafla, do Tribal X, um evento de Fusão Tribal.

NR – E de Gothic Bellydance, que é o único que há cá em Portugal, e vai ser a estreia dos Obellycious dentro da comunidade Tribal.

O motto da Obelixx Popping Factory é “Expand your horizons, twist your reality, enhance your dreams”(Expande os teus horizontes, molda a tua realidade, realiza os teus sonhos). Qual o vosso motto enquanto grupo?

BZ – Isso é com o Obelixx. Ele tem um jeito com as palavras…

NR – Sim, para comunicar…

FR – É um poeta.

NR – É um Popping poeta. Um motto assim do grupo?… “No Pain No Gain” [risos]. Não sei… Se calhar até temos e nem sabemos. “Estar confortável é bom, mas sair da zona de conforto é ainda melhor”.

FR – Sinceramente, acho que não temos nenhum ainda.

BZ – “Out of the Box”.

NR – Motto… “No motto”. [risos]

Links úteis:
Vídeo de Obellycious na Jazzy Studios: aqui.
Página Obelixx Popping Factory: aqui.
Página internacional dos Obellycious: aqui.
Sobre a actuação dos Obellycious Portugal no Tribal X Festival: aqui.

Maria Palma Teixeira

Escreve sobre dança no Arte-Factos e é Gestora de Marketing numa editora de publicações periódicas.
Mestre em Marketing Communications (MA), Londres, com dissertação sobre publicidade com ballet, e Licenciada em Comunicação e Cultura, Lisboa. Gosta de dançar e de dançar com as palavras.

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