Músicas da Semana #181

Escolhas de Old Jerusalem:

ryan-adams

Ryan Adams / Taylor Swift – Blank space
A ideia de fazer um disco inteiro de versões de um disco inteiro da Taylor Swift (“1989”) é uma daquelas coisas que só mesmo o Ryan Adams para se lembrar de fazer. Comprei o disco por mera curiosidade, sem ouvir nada, e não só é mesmo bom como me levou a comprar o original “1989” da Taylor Swift – que ainda é melhor, tornei-me fã! O curioso é que provavelmente não “entraria” nas canções da Taylor Swift se não as tivesse antes ouvido pelo “prisma” do Ryan Adams. Somos uns seres curiosos…

S – Brunch
Os Carissa’s Wierd deviam ter sido enormes, ainda vamos a tempo de compensar tornando os S enormes e a Jenn Ghetto é a rapariga com as tatuagens mais cool de sempre. Tudo motivos para alguém trazer a Jenn Ghetto/S até cá.

Kurt Vile – Pretty pimpin
A canção com mais pinta de 2015. Ponto.

Bonnie ‘Prince’ Billy – The houseboat (O how I enjoy the light)
A edição recente do “Pond scum” relembrou-me o carisma das canções e da “persona” do Will Oldham no que talvez fosse a sua fase “de ouro”.

Jesu/Sun Kil Moon – Exodus
Será piroso, terá que ver com o facto de ser pai, mas já há bastante tempo que não chorava a ouvir uma canção e, como costuma acontecer nesses momentos, soube bem.

Escolhas de Cláudia Andrade:

Cult Of Luna

Cult Of Luna & Julie Christmas – A Greater Call
A semana passada já não fui a tempo de a incluir nas músicas da semana, mas mal nenhum porque continuo a ouvi-la todos os dias. Esta colaboração entre Cult Of Luna e Julie Christmas já é uma das melhores coisas deste ano e ainda só ouvi esta A Greater Call.

Watazumi Doso – Shingetsu
Andrei Tarkovsky sabia mesmo como explorar as palavras e os enquadramentos e levar o ser mais frio deste mundo às lágrimas. Até a música ele sabia colocar no sítio certo, no momento certo, tornando assim o nosso coração ainda mais pesado. Esta Shingetsu de Watazumi Doso faz parte da banda sonora d’O Sacrificio e esteve comigo durante toda a semana.

Miles Davis – Summertime
Gosto sempre de encontrar espaços públicos que me façam sentir bem e em casa. O Bop Café tem vindo a tornar-se nesse espaço nos últimos dias e é lá que tenho tornado o culto do vinil mais real em mim. Esta semana ouvi o Porgy & Bess do Miles Davis de 1958. Agora quero ouvir mais.

Godflesh – Love Is A Dog From Hell
Estive a recordar o concerto de Godflesh no Santiago Alquimista em Maio de 2013 e decidi voltar a pegar nesta. Já tinha saudades.

Hüzün – Silêncio
Foi esta semana que voltei ao mundo da música acompanhada do fantástico João Freire de Névoa com um projecto especial que dá pelo nome de Hüzün. Irá sair um EP em Março, mas já podem ouvir a Silêncio no bandcamp.

Escolhas de Isabel Leirós:
©Daniel José

©Daniel José

Sensible Soccers – Villa Soledade
Primeiro avanço para o novo trabalho dos queridos Sensible Soccers. Cada vez mais exploratórios e dados a devaneios, levantaram o véu para um álbum que se espera composto de grandes malhões. A julgar pelo vídeo que acompanha, prevê-se também uma bonita conjugação audiovisual nos apresentações ao vivo – de resto, a passagem pelo Curtas de Vila do Conde e a produção “Paulo” já nos tinham surpreendido nesse sentido.

Kanye West – Feedback
Já está a circular o novo trabalho de Kanye, afinal apelidado de The Life Of Pablo. Kanye usa e abusa do autotune, o que não é bom. Porém, a faixa “Feedback” é excepcionalmente boa e já andou em modo repeat por estes dias.

Lust For Youth – Sudden Ambitions
Como não adorar estes loucos rapazes da Sacred Bones? Novo single, novo vídeo, novo álbum à espreita, a mesma saudade dos 80s. Os LFY são, como alguém dizia, uma espécie de lado b de New Order, se estes tivessem abusado de LSD.

Ulrika Spacek – I don’t know
Revelação do ano, acabam de pôr cá fora o disco de estreia. As guitarras arranhadas não os poupam a comparações com Sonic Youth e My Bloody Valentine. Foi a minha descoberta desta semana.

Deftones – Prayers/Triangles
A minha relação com Deftones é inexplicável e adorável. Enquanto o álbum dos flamingos não é revelado, esta vai rodando. Não há uma mudança de rumo, nem uma evolução para lado nenhum. Há sim uma identidade que reconhecemos nos primeiros acordes e que nos faz perceber que estamos num lugar muito confortável. Deftones é sempre aquele regresso a casa.

Escolhas de João Neves:

#15 10 000 Russos

10 000 Russos – UsVsUs
Na noite passada tive a oportunidade de assistir a um grande concerto de 10 000 Russos, confesso que conhecia mais o nome que a música, mas foi das coisas mais interessantes que vi nos últimos tempos.

Moloch – L. Williams II
A primeira parte do concerto ficou a cargo dos Moloch, uma banda Lisboeta que começa a dar os primeiros passos mas já se nota uma energia enorme. Resumindo, tudo malta fixe.

Peixe:Avião – Um bocado mais
Na semana de apresentação do novo álbum de Peixe:Avião resolvi aproveitar para fazer uma revisão mais aprofundada das matérias anteriores.

Radiohead – Everything in its right place
Esta foi uma semana muito especial e quando me pediram para escolher uma música que simbolizasse o momento, saiu esta…

Sigur Rós – Festival
Confesso que nem a ouvi sequer esta semana, também não houve tempo, mas já dá para ouvir de memória. Penso ser perfeita para resumir os últimos tempos e os recentes acontecimentos.

Escolhas de Vera Brito:

BadBadNotGood

BadBadNotGood – CS60
Existem sempre aquelas bandas de nome familiar que nos escapam, esta foi a semana para ouvir por fim coisas dos BadBadNotGood e pensar como é que eu andei a perder isto? Jazz, electrónica, improviso e criatividade transpiram na música destes talentosos rapazes de Toronto.

Filho da Mãe e Ricardo Martins – Pessoal Beto em Sítios Chungas
Semana de apresentação do LP Tormenta de Filho da Mãe e Ricardo Martins, num concerto eléctrico no Musicbox que não é chunga e que na passada sexta também não tinha betos, mas sim gente atenta à boa música que se faz por cá.

Tortoise – Swung From the Gutters 
Estive uns dias por Genebra e encalhei num concerto dos Tortoise. É sempre curioso perceber como é o público lá fora e desta vez encontrei uma plateia muito respeitadora e atenta (senti-me uma perfeita idiota quando empunhei o meu telemóvel para tirar a fotografia da praxe, essa irresistível recordação desfocada e cheia de grão), mas também uma plateia esfuziante que fez a banda regressar para dois encores. Os Tortoise são de absoluta mestria em palco, numa dança das cadeiras que nos deixa zonzos, onde todos tocam tudo, trocando entre instrumentos a cada música como se só assim fosse natural.

Jack Garratt – Coalesce (Synesthesia Pt. II)
Esperava com alguma curiosidade o álbum estreia deste rapaz que aconteceu esta semana, mas que acabou por ficar aquém das minhas expectativas. Phase é simplesmente demasiado fabricado e falta-lhe espinha dorsal, mas a máquina comercial está bem montada e todos vão ouvir falar de Jack Garratt nos próximos tempos.

Animal Collective – FloriDada
Outro álbum que aguardava para esta semana e sobre o qual ainda não sei bem o que pensar. As críticas lidas não prenunciavam um trabalho brilhante e a verdade é que a fórmula “ramoniana” de músicas curtas e imediatas sem espaço para se expandirem em devaneios alucinógenos, parece não assentar bem aos Animal Collective. Valha-nos ainda o single estreia “FloriDada”.

Escolhas de Ricardo Almeida:
©Sara Rafael

©Sara Rafael

Filipe Felizardo – Canção para o meu pai
Este fim-de-semana fui pela primeira vez ao Festival Rescaldo. O cartaz despertou-me curiosidade e resolvi ir. O Filipe Felizardo já andava debaixo do meu radar há algum tempo. Estava com medo de achar o set dele uma seca, mas felizmente foi exactamente o contrário. Adorei! “Isto é Amplifest material!”, dizia um amigo meu. Mandem-me os calhaus que quiserem, mas acho que se o Dylan Carson e o Stephen O’Malley estivessem presentes, teriam tremido das perninhas.

OZO – Lens Flare
Nunca tinha entrado no Pequeno Auditório da Culturgest. Fiquei mais do que fã. Pontualidade, asseio, qualidade do som; tudo impecável. Quanto a OZO, esqueçam tudo! As cataratas do Niágara, a herança literária russa, Mahler, a primeira vez que experimentaram sexo oral. Tudo! Foram provavelmente o concerto que mais gostei do fim-de-semana. Dei por mim a respirar fundo, a experimentar sensações estranhas e contraditórias, com vontade de chorar, de rir, de fazer o amor, de andar à pancada, tudo ao mesmo tempo. Terminado o concerto, eu e o amigo que foi comigo abandonámos a sala temporariamente mudos; depois tivemos um ataque de Tourette e foram proferidos mais palavrões por segundo do que durante um jogo de matraquilhos entre taxistas.

Timespine – Piece #1
Timespine era algo que tinha mesmo muita curiosidade em ver. Passei mais de metade do concerto de olhos fechados. Às vezes acho o rótulo “música exploratória” um bocado pretensioso, mas é exactamente isso que eles fazem. Algo transversal aos quatro concertos que vi foi o facto de todos terem dado 10-0 aos discos.

William Basinski – The Deluge
Antes do Rescaldo houve toda uma semana aborrecida e cansativa. Quando se passa o dia inteiro em frente a um computador é natural que se fique com uma ligeira dor de cabeça. No entanto, a necessidade – porque é uma necessidade – de ouvir música sobrepõe-se. Cheguei a casa, estiquei-me na cama e relaxei um pouco enquanto The Deluge me inundava o quarto.

Adrian Borland – Walking in the Opposite Direction
É uma pena que não se fale mais de Adrian Borland, o homem por trás dos The Sound. Tenho a certeza que muito boa gente ficaria rendida. Em 99, o Adrian fartou-se de remar contra a corrente e atirou-se para a frente de um comboio. No ano seguinte saía este “The Last Days of the Rain Machine”.

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