peixe:avião no Theatro Circo (20/02/2016)

peixe:avião no Theatro Circo (20/02/2016)

©Liliana Mendes e Duarte Costa

©Liliana Mendes e Duarte Costa

Fevereiro foi mês de regresso dos titânicos peixe:avião aos palcos, para apresentação do novo álbum “Peso Morto“. Tocaram no Teatro Rivoli no Porto e no Lux em Lisboa, mas culminaram esta série de concertos em Braga, cidade que os viu nascer. O Theatro Circo foi a sala escolhida (com ares de quase esgotada), revelando-se o palco perfeito: os traços clássicos e barrocos, o mais arrebatador sistema de som, a talha de ouro, foram a perfeita justaposição do experimentalismo cada vez mais denso da banda.

A sala estava já de luzes apagadas quando cheguei, permitindo-me emergir melhor ainda no ambiente que a banda criou para nós. Os cinco rapazes subiram para os seus instrumentos, e tocaram com tal proximidade física que quase parecia uma materialização da simbiose em que se unem. Entre cabos, guitarras, bateria, sintetizadores e a característica (e atípica) voz de Ronaldo, foi pouco mais de uma hora de perfeita harmonia. Do tecto caíam uns cabos – LEDs que se acenderam mais tarde. Tudo recordava aquele vídeo de 2008 que os revelou ao grande público, para o single A Espera É Um Arame. Mas é esta a única semelhança, pois musicalmente a banda amadureceu e seguiu outro rumo estético.

Do caos em palco saiu um som denso e expansivo. Abriram a noite com “Fénix” e rapidamente se iluminou um ecrã que complementou a experiência musical com imagens desconexas. “Peso Morto” é um álbum abstracto e cinematográfico, mas orelhudo e que consegue agarrar rapidamente o público. Prova disso foi a reacção a “Quebra”, a primeira amostra dada a conhecer quando ainda era Verão. “Torto”, “Nevoeiro” e “Miragem” são outros dos destaques deste novo trabalho.

O concerto fez-se sempre num ritmo acelerado, com poucas pausas, entre a contemplação e sons mais impetuosos. “Peso Morto” é um álbum que combina muito bem com o trabalho anterior, o homónimo de 2013, do qual recordaram “Avesso” que acabou por render o público aos peixe:avião.

A jogar em casa, uma vez mais tornou-se claro que não é por mero acaso que são um dos grandes nomes do panorama cultural nacional. As portas do Theatro Circo abriram-se não só para o grande público, mas também para a comunidade artística da região que não esconde admiração que sente por este percurso exemplar.