Marching Church no Maus Hábitos (27/02/2016)

Marching Church no Maus Hábitos (27/02/2016)

#8 Marching Church

Fotos por Ana Santos

A Revolve é uma das melhores editoras e promotoras nacionais. Timidamente vai trazendo até nós alguns dos melhores momentos musicais quer em disco quer ao vivo: de Girl Band no Mucho Flow ao épico lançamento Filho da Mãe + Ricardo Martins. No passado sábado levou dois argumentos de peso ao Maus Hábitos, no Porto: os portugueses Papaya e os dinamarqueses Marching Church.

Papaya é fruto de um dos mais ricos ecossistemas do panorama musical nacional. Ricardo Martins, Óscar Silva (aka, Jibóia) e Bráulio Amado formam o trio maravilha, “cientistas punks” como se caracterizavam momentos antes do concerto. Unidos pelo amor à arte, separados por um Atlântico, apresentaram ao público um concerto enérgico e arrebatador. Com três trabalhos à espera para descobrir no bandcamp, deram uma lição de verdadeiro rock’n’roll.

Seguiu-se um dos mais interessantes projectos europeus, os Marching Church, liderados por Elias Bender Rønnenfel (mais conhecido pelo seu trabalho em Iceage). As comparações entre as duas bandas são incontornáveis, mas rapidamente percebemos em que se distinguem: Iceage são incríveis em disco e terríveis ao vivo, num caos quase poser pelo excesso de devastação com que se apresentam, tornando quase imperceptível a sua música; ao passo que Marching Church cresce ao vivo. O longa-duração recentemente lançado vive de momentos carregados de melancolia nostálgica, que ganha ainda mais força no palco, seja pelo saxofone ou pelo violino com as suas sonoridades distintas, seja pela maturidade que a banda apresenta. O Maus Hábitos viu-se invadido por uma emocionante noite de música, que surpreendeu o público.