Músicas da Semana #185

Escolhas dos Bruma:

Mr-Bungle

Mr. Bungle – Desert Search for Techno Allah
A nível de composição é das bandas mais inovadoras e as transições violentas deste disco especificamente são o reflexo da volatilidade da música e da complexidade das emoções.

Kamasi Washinghton – Isabelle
Um Saxofonista proeminente que descobrimos no álbum de Flying Lotus e que ele mais tarde produziu. As opções estéticas de produção mantém o smooth jazz do Kamasi quase um transe durante 12 minutos.

Neurosis – Bleeding The Pigs
Grande nome que vem este ano ao Amplifest. Uma mistura de ambience com peso brutal.

Bohren & Der Club Of Gore – Powler
A atmosfera criada pelos Bohren nesta música é imersiva. Um ambiente urbano e melancólico que no cinzento da cidade de Braga durante este Inverno se torna quase como uma banda sonora de um dia a dia.

Flying Lotus – The Boys Who died in their sleep
Um dos artistas do presente momento que mais apreciamos no que toca a opções de produção. Esta música conta com a participação de captain Murphy que curiosamente é uma personagem criada pelo próprio, mas o detalhe mais interessante nesta música é mesmo a duração e como em tão pouco tempo ele consegue criar um ambiente tão vivido.

Escolhas de Cláudia Andrade:
©Theonepointeight

©Theonepointeight

Clark – Strangled to Death in a Public Toilet
A novidade da semana foi o muito aguardado por mim novo álbum de Clark – The Last Panthers, que tem rodado em loop desde sexta-feira, dia em que saiu. Com menos batida e um toque quase cinematográfico com claras influências do grande Max Richter, este é já, para mim, um dos álbuns do ano. Esta Strangled to Death in a Public Toilet é a favorita.

Cult Of Luna – The Wreck of S.S. Needle
Depois de na semana passada nos presentearem com o primeiro single do novo álbum com a colaboração da enorme Julie Christmas, A Greater Call, eis que esta semana nos voltam a dar mais uma migalha de um dos álbuns que mais quero ouvir este ano. Esta The Wreck of S.S. Needle tem rodado toda a semana e mostra a garra que Julie Christmas tem e o quão bonita esta colaboração vai ser.

Roly Porter – Blind Blackening
A surpresa da semana foi a confirmação de Roly Porter no Amplifest para apresentar o seu mais recente álbum Third Law que tem feito maravilhas aos meus ouvidos nas últimas semanas. Para fãs de Tim Hecker e Ben Frost, electrónica psicologicamente densa.

Boris & Merzbow – Huge
Mais uma grande novidade desta semana foi o álbum que junta Boris e Merzbow. Também me tem acompanhado durante estes últimos sete dias, em especial esta Huge.

Ben Frost – Venter
A semana em que voltei a ver Ben Frost ao vivo. Já tinha saudades.

Escolhas de João Neves:

Capitão Fausto

Capitão Fausto – Amanhã Tou Melhor
A nova dos Capitão Fausto rodou bastante esta semana. Por acaso não foi por nenhum desejo semelhante ao tema da música, talvez seja uma mera constatação de um facto. Mas porquê tantas justificações?! “Porque sim” não serve? Já agora constatemos também que a música portuguesa está muito bem e recomendasse!

Steven Wilson – Vermillioncore
Esta semana tive também oportunidade de ouvir o novo EP do Steven Wilson. Será que este senhor não consegue fazer coisas más?! Que grande malha esta!

Kiasmos – Burnt
Outro senhor que parece que tudo onde põe o dedo tem uma qualidade acima da média é Ólafur Arnalds. Aqui a formar um duo mais electrónico com Janus Rasmussen, conhecidos por mim talvez na semana anterior a esta, andam desde então a fazer parte da playlist.

Deftones – Doomed User
Dando uma volta de 180° nos ambientes sonoros, damos o salto para a nova dos Deftones. Ora aqui está uma música mesmo à Deftones, o véu de Gore vai sendo levantado aos poucos.

Dead Combo – Esse Olhar Que Era Só Teu
Não podiam faltar os Dead Combo depois de mais um grande concerto no Teatro S. Luiz na quarta-feira passada. Houve ramboia, mas também momentos muito bonitos, como nesta música.

Escolhas de José Raposo:

Mr-Fingers

Mr. Fingers – Qwazars
Eis o regresso aos originais do melhor alter ego de Larry Heard, Mr. Fingers. O mestre do house voltou para dar uma lição de melodias contidas, kick no sítio e a simplicidade e sobriedade que são a marca registada do subgénero que melhor define a sua obra, o deep house. Heard até pode residir em Memphis, mas Fingers é a parte da sua alma que nunca saiu de Chicago e que continua a enviar-nos as melhores 120 BPM desde 1986. Perguntou-nos, nesse ano, se estávamos a sentir, com “Can You Feel It”; trinta anos depois continuamos a responder que sim.

Legowelt – Elementz of Houz Music
Esta semana foi do house,  visto que um dos maiores voltou às edições e um dos grandes da actualidade visitou-nos ali para os lados de Santa Apolónia. Danny Wolfers ou Legowelt leva já duas décadas de carreira, influenciado pelos fundadores do house, como Mr. Fingers/Larry Heard ou os mestres de Detroit. A solidez desta preparação teórica reflecte-se na praxis e no próprio título: reúnem-se aqui todos os elementos da (boa) house, incluindo as BPM adequadas, mas Wolfers destaca-se dos demais pela variedade melódica que imprime nas suas composições – aqui em registo plenamente onírico e em grande jogo de pratos.

Sensible Soccers –  Villa Soledade
Outro regresso, desta feita de produto nacional. O agora trio (quarteto ao vivo) homenageia a única mansão digna da Trofa com a canção-título: um magnífico crescendo que nos leva a Kraftwerk, passando depois para sintetizadores da escola Tangerine Dream, ritmo de Lole y Manuel e desembocando na certeza de que são, em disco e sobretudo ao vivo, a melhor banda do género em toda a Península Ibérica. Temos pena, Delorean, mas os golões são todos marcados deste lado.

José Afonso – Coro da Primavera
Dizem para aí que hoje começa a Primavera; há que cumprir a tradição de pôr a tocar uma das grandes canções do vulto. Mesmo com o abuso contemporâneo do adjectivo “épico”, não há nada que não o seja nesta canção: desde a letra de esperança no amanhã, na cadência habitual de José Afonso, até aos arranjos de José Mário Branco e companhia, de sopros, percussão e órgão monumentais (de chamamento à ocasião) conduzindo todo um conjunto que é um cartão de visita intemporal da música portuguesa. Como a Primavera nem é grande coisa, erga-se, pois, o sol de Verão, que se ouvem já estes belos clamores.

R.E.M. – Laughing
“Out of Time” completou um quarto de século há uns dias, mas destaca-se aqui “Laughing”, do primeiro álbum dos Smiths da América, “Murmur”. Se Laocoonte (aqui de género invertido) morreu pelos filhos e com a convicção de que estava certo sobre o Cavalo de Tróia, os R.E.M. e companhia caminhavam, nesta fase primitiva da sua obra, algures entre a folk eléctrica e o jangle pop e alumiados pela Rickenbacker de Peter Buck, mas já com um substrato literário e musical (ah, o arranque da canção) que lhes permitia rir afinadamente sobre o que aí viria, por assim dizer.

Arte-Factos

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