Batman v Superman: Dawn of Justice

Batman v Superman: Dawn of Justice

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Muito por força daquilo que tem sido feito pela Marvel nos últimos anos, que elevou o nível dos filmes de super-heróis, a DC entra este ano numa fase de refiguração necessária para acompanhar o sucesso. Com excepção da saga Dark Knight de Christopher Nolan, não há muito sucesso recente a relatar, ficando na memória filmes aceitáveis como Man of Steel ou maus como Green Lantern. A primeira grande aposta da DC para inverter os resultados é Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça, um filme bastante ambicioso realizado por Zack Snyder que, pelo menos a nível de hype e marketing, fez o que nenhum outro filme da DC conseguiu em alguns anos.

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Directamente ligado à ambição associada a este filme está o argumento, que vai muito além de um Batman v Superman e tenta apanhar um universo tão massivo quanto possível. Além destes dois super-heróis, protagonizados por Ben Affleck e Henry Cavill, temos ainda Lex Luthor (Jesse Eisenberg), Wonder Woman (Gal Gadot), Doomsday e uma pequena apresentação a personagens que veremos certamente no futuro, como Aquaman. Este é o grande erro de Batman v Superman, falta claramente um foco no filme, falta discernimento e falta saber o que se quer fazer com todo um universo bastante rico que nunca foi devidamente explorado.

A primeira metade do filme é dedicada quase inteiramente a apresentar personagens, dar algum background e fomentar o conflito entre Bruce Wayne e Clark Kent. Henry Cavill mantém o registo positivo de Man of Steel, enquanto Ben Affleck cumpre serviços mínimos como Batman, bem na acção, mas sem qualquer carisma como Wayne, o que está longe de ser positivo para o actor que gerou alguma controvérsia na escolha. Entretanto, são apresentadas as restantes personagens, acompanhamos um conflito nem sempre muito bem justificado só para mais tarde mudarmos o foco e percebermos que, afinal, estamos a ver uma espécie de Man of Steel 2 com direito a Batman e Wonder Woman do que propriamente um Batman v Superman. Duas horas e meia de filme não chegam para começar e completar duas histórias distintas, mas é demasiado para acompanhar várias histórias forçadamente interligadas.

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O ambiente ao longo de todo o filme é de um tom mais negro, acentuando um pouco aquilo que já vimos na saga Dark Knight e tornando-se numa característica já própria de adaptações da DC. Ainda que acabem por cair um pouco no vazio, as motivações e as acções das personagens parecem ir de encontro a um estilo mais maduro de filmes de super-heróis. O Lex Luthor de Jesse Eisenberg, que tem de ser elogiado aqui, não é um vilão tão comum como estamos habituados a ver e procura mexer com temas mais sérios do que a dominação do mundo ou a conquista de um poder superior. Torna-se apenas mais um motivo para lamentar a escolha de querer ter tudo num filme só, sem aproveitar devidamente o que de bom se conseguiu.

Tecnicamente, como seria também de esperar, o filme supera-se. Há cenas muito bem conseguidas, com tudo o que podemos pedir de um grande blockbuster. É também notável o excelente trabalho a nível de banda sonora feito por Junkie XL e Hans Zimmer. Se algumas cenas ficam na memória, estes são os principais culpados e conseguem dar a única sensação de que estamos a assistir a algo de épico. O problema aqui é que se esperava muito mais do que apenas um blockbuster que brilha nas categorias técnicas.

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Não era possível fazer aquilo que Zack Snyder tentou fazer num filme só, nem era sequer recomendável. Este era um filme que funcionaria como Batman vs Superman, como Superman vs Lex Luthor ou como uma introdução mais geral como prequela de Justice League que está previsto para o próximo ano, mas nunca como tudo isto e mais um pouco. O filme está completamente perdido, sem um rumo definido e sem uma ideia certa daquilo que está a tentar ser. Ambição desmedida não faz um bom filme e ainda que se note um traço mais negro e mais adulto, já característica das adaptações da DC, ainda é preciso muito mais para uma derradeira afirmação e conquista neste meio.

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Sandro Cantante

Adepto com H grande de videojogos e cinema. Gosto de bons filmes e de bons jogos, acima de qualquer género ou plataforma. Uma pessoa simples que gosta do que é bom apenas.