L'Ombre des Femmes (À Sombra das Mulheres)

L’Ombre des Femmes (À Sombra das Mulheres)

À Sombra das Mulheres

Amor, ciúme, traição, confiança e respeito são aspectos muitas vezes presentes na carreira de Philippe Garrel. Foi assim no último Ciúme, com o filho Louis, e volta a sê-lo neste À Sombra das Mulheres. E novamente com uma bela fotografia a preto-e-branco…

Acompanhamos Pierre, a esposa Manon e a amante Elisabeth. São as convulsões de um triângulo amoroso, onde o destaque é dado mais à evolução dos sentimentos delas do que ao pensamento dele. E daí o título do filme. À Sombra das Mulheres volta, aliás, a ser uma história sobre as convenções de uma sociedade ainda muito machista. E daí a sensação de que a igualdade neste casal não existe, que nem todas as traições são encaradas da mesma forma.

Pelo meio, há a questão profissional de Pierre e Manon. Trata-se de um casal que trabalha em conjunto, na preparação de um documentário sobre membros da resistência francesa ao nazismo. Acontece que, não só o filme não aprofunda a possível tensão e promiscuidade entre as questões pessoais e profissionais de um casal, como lança a questão da memória (real ou imaginária) da Segunda Guerra Mundial para depois não a explorar minimamente.

A Sombra das Mulheres II

Enfim, não há aqui nada de particularmente fascinante. Não é um filme intenso sobre os conflitos sentimentais ou a ética numa relação. Não é um Closerdando um exemplo mediático e paradigmático. Mas há uma perspectiva realista, acreditamos o suficiente nas personagens para que À Sombra das Mulheres mereça ser visto. E as interpretações, em particular das actrizes Clotilda Courau e Lena Paugam, que se encontram no centro do filme, fazem jus a esse realismo.

6

João Torgal