Fat Freddy's Drop no Coliseu dos Recreios (12/04/2016)

Fat Freddy’s Drop no Coliseu dos Recreios (12/04/2016)

FatFreddysDrop

Fotos por Paulo Tavares

Corria o ano de 2005 quando o reggae sofreu uma espécie de revival boost. Creio que por todas as secundárias deste país, mas de certeza na zona de Cascais, onde eramos todos bué do surf.

Gentleman, Patrice, Matysiahu, alguns descendentes de Marley, etc. alimentaram o revival. Foi na altura dos MTV European Music Awards no Pavilhão Atlântico e do concerto brutal que os Coldplay deram lá (#momento para lembrar que os Coldplay já foram verdadeiramente cool, embora isto se tenha passado no limite, pós-Parachutes e Rush of Blood to the Head mas anterior ao Viva La Vida).

O meu ponto é que em 2005 os Neo-Zelandeses Fat Freddy’s Drop lançaram o primeiro álbum de estúdio, Based on a True Story. Roadie, Wandering Eye, Ernie, eram tudo músicas que constavam do MP3 de 260 megas do melómano que estivesse a par do que na altura se fazia. FFD ultrapassaram a moda do reggae. A ligação ao soul, jazz e R&B, os vocais e composição lírica dão sem dúvida substância à música da banda, agora infelizmente muito ligada ao techno.

Regressando ao futuro, os Fat Freddy’s Drop actuaram no Coliseu de Lisboa, encerrando a tour Europeia de apresentação do seu mais recente e quarto álbum de estúdio, Bays, lançado em Outubro do ano passado.

A base de fãs da banda em Portugal permanece consistente e a composição do Coliseu reflectiu-o. O concerto abriu com o single de Bays, Slings and Arrows, arrancando logo uma ovação muito expressiva por parte do público, o clássico bater de pés no chão do Coliseu e os primeiros agradecimentos de Joe Dukie no seu barrete vermelho.

Blackbird (do álbum homónimo de 2013) fez as delícias de um público cuja faixa etária variava entre os 6 e os 60 (sem exagero). Segue-se Ten Feet Tall (outro single de Bays, 2015), “we live not to devide / but to unify”, o que podia bem ser o slogan da banda. Hinos colectivos com referências à natureza e o cheirinho a erva queimada. Não sei se existe second hand stone, ou se era só da música, mas Fish in the Sea conseguiu-nos transportar para a ilha e infância de Duckie.

MC Slave deu o seu contributo, mas a estrela da noite foi Hopepa, o nome artístico de Joe Lindsay, elemento da importantíssima secção de sopro da banda, responsável pelos trombone e tuba. Inicialmente muito compostos, Hopepa já sobressaía pelo look e pelo espírito, claramente mais animado e dançante que Reedz e Chang. Hopepa seria responsável por alguns momentos à Sandy Lyle, o personagem de Phillip Seymour Hoffman em Along Came Polly, o filme de 2004 protagonizado por Ben Stiller e Jennifer Aniston. Hopepa haveria de sair e regressar ao palco apenas de roupa interior (sleeveless shirt e boxers), propositadamente estilizada com lantejoulas da mesma cor, brilhantes, e uma capa de fitinhas de um material utilizado em presentes e festas de que desconheço o nome, cor-de-rosa brilhante.

Já sem a capa, foi protagonista de um bonito momento de harmónica, sentado de frente para o público e sozinho no palco, oficializando a transição, por volta do terceiro terço do concerto, para um ambiente de clubbing. Quem conhece os álbuns não ficará surpreendido, mas de repente estávamos no Coconuts, em 2006.

Techno à parte, foi um excelente concerto, com imensa interacção com um público muito caloroso. Encore com This Room e Waiting in Vain, com espaço para um pouco do imprescindível Wandering Eye. Para perfeito, perfeito faltou Midnight Marauders. E um pouco menos clubbing.

Inês Cisneiros

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