Uma semana de Ampliconfirmações

Uma semana de Ampliconfirmações

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Para os que andaram distraídos recordamos que na semana passada a Amplificasom fez das suas. Conhecem a expressão “farta-brutos”? Pois uma das nossas promotoras preferidas resolveu encher-nos de antecipação e emoções fortes ao longo de alguns dias e descortinou nove, sim nove, novos nomes para o Amplifest. Deixaram-nos K.O. em cinco rounds.

Lembram-se de um épico transcendente chamado The Ritual Fires of Abandonment? Pois preparem-se porque os Minsk, renascidos das cinzas, têm encontro marcado com o Amplifest no dia 20 de Agosto. Com uma formação renovada, os homens do Illinois visitam o Porto para evocar o transe embrenhado em The Crash and the Draw, disco esmagador de que já falámos por aqui.

Minsk

A segunda confirmação foi a dos Kowloon Walled City, que não eram propriamente um nome desconhecido para os mais atentos quando assinaram com a Neurot Recordings. Diz que o nome lhes cai bem, por isso não se admirem quando estes rapazes deixarem o Hard Club bem cinzentão ao gritarem a plenos pulmões o desespero e a desolação patentes em Grievances, um dos nossos preferidos do ano passado.

E porque isto não pode ser só “bandas para pessoas com fotos de perfil a preto e branco”, Tiny Fingers! Um nome menos sonante, um segredo bem guardado, os Tiny Fingers vêm de Israel e parecem decididos em não nos deixarem ficar indiferentes. Dotados de uma energia contagiante, levar-nos-ão numa viagem em tons de electrónica, dub, rock psicadélico, funk e sabe-se lá mais o quê. Vale tudo menos arrancar olhos!

Se em 2014 foi bom, no Amplifest será melhor. Dust and Disquiet saiu no ano passado e é pretexto mais do que suficiente para os Caspian fazerem as malas e virem até à Invicta. Não se esqueçam que também haverá Mono. Fica então a certeza de que vamos sair do Mercado Ferreira Borges com o peito cheio de post-rock.

28-caspian

E por falar em peito cheio, a Amplificasom tem todos os motivos do mundo para se sentir orgulhosa, afinal de contas conseguiram finalmente trazer cá a banda que alguns já tinham perdido a esperança de ver actuar em Portugal.  É uma sensação difícil de explicar saber que vamos ter os Neurosis por cá, ainda para mais na tour em que celebram 30 anos de existência. É um nervoso miudinho que nos sobe pela barriga só de pensar em Agosto. Mas porque o Amplifest é casa que reúne mestres e discípulos sentados à mesma mesa, esta edição marcará também a estreia dos Hope Drone em Portugal, na digressão que os traz pela primeira vez até à Europa. Estes australianos podem até ainda nem ter meia-dúzia de anos de estrada, mas um EP e um álbum de estreia lançado no ano passado fizeram-se credenciais suficientes para nos convencerem de que são um nome a não perder de vista. Fãs daquele post-black metal a piscar o olho ao sludge mais atmosférico (fãs da banda de que falaremos já a seguir) encontrarão aqui pano para mangas.

Hope Drone

Aquele primeiro álbum, bem como o split com os In the Hearts of Emperors, adivinhavam-lhes desde logo a sorte. Nome repetido? Sim, e depois? Desde a última passagem por cá os Downfall of Gaia lançaram um senhor disco, Aeon Unveils the Thrones of Decay, e patentearam uma sonoridade que é só deles. Fizeram convergir o crust punk, o post-rock e o black metal. Revê-los é imperativo.

Da vizinha Espanha vêm os Altarage, banda que, nas palavras da própria Amplificasom, é “um pesadelo cavernoso de retorcidos riffs death metal que deve, a todo o custo, ser mantido longe dos mais sensíveis”.

Altarage

Da última vez que por cá andou Dominick Fernow chamava-se Vatican Shadow e tocava no Lux. Não devem ter sido poucos os que se assustaram ao entrarem na discoteca lisboeta sem saberem ao que iam. Fernow já fez muita coisa e a wikipédia fica já ali ao lado, ainda assim é importante referir que o maciço Frozen Niagara Falls saiu no ano passado e continua a ser um osso duro de roer, um disco tão abrasivo que poderia bem tratar da história de alguém que sabe que tem de destruir tudo o que deixa para trás, tudo o que viveu, tudo o que foi, até ao mais residual dos vestígios, e partir. Ser dado como morto e nunca mais voltar. Peguem-lhe da perspectiva do que se pirou ou dos que lhe têm amor e ficaram, são as duas feias e servidas a frio, propositadamente insossas.

“I’ll never know what it means / This deadly calm inside / I’ll never know what it means”. É isso mesmo! Os Oathbreaker podem estar enfiados no estúdio agora, mas em Agosto vêm comer francesinhas ao Porto. Depois de uma noite difícil aquando da primeira visita a Lisboa, um concerto que foi só mais ou menos quando aqueceram o Hard Club para os Amenra, e de uma das melhores actuações do Burning Light Fest, a banda de Caro Tanghe regressa ao Porto para mostrar com quantos paus se faz uma canoa, da mesma maneira que os Wiegedood (com os quais partilham ADN) o fizeram no ano passado.

#5 Oathbreaker

Ficaram bem? De certeza? Então levantem-se, vão à casa de banho, arrotem sem ninguém ver, porque ainda não acabou – mais confirmações em breve.

Recordamos: os bilhetes para a Weekend Experience custam 75€ e ambas as modalidades estão disponíveis via AMPLISTORE e nas lojas Hard Club, Louie Louie, Matéria Prima, Piranha, Bunker Store e Black Mamba, no Porto, e Flur, Glamorama e Vinil Experience, em Lisboa. De recordar, ainda, que os bilhetes para a Extended Experience, que englobam os concertos de 19 e 22 de Agosto, estão limitadas a 200 ingressos e custam 89€.

Ricardo Almeida

Nasceu em 89, não gosta de futebol e tem Demis Roussos como líder espiritual.