Mão Morta & Remix Ensemble na Aula Magna (18/04/2016)

Mão Morta & Remix Ensemble na Aula Magna (18/04/2016)

#10 Mão Morta

Fotos por Hugo Rodrigues

A Aula Magna foi o palco escolhido para acolher um encontro único. À direita do palco os Mão Morta. Do outro lado, apenas separados por um separador de fibra de vidro, a Remix Ensemble. O histórico colectivo de Braga, após desafio do Theatro Circo, uniu-se ao reconhecido agrupamento de música contemporânea da Casa da Música para quatro espectáculos memoráveis.

Depois de duas arrebatadoras noites em Braga e em Coimbra, Lisboa não foi capaz de encher a sala para receber esta experiência. Ao longo de cerca de duas horas ouvimos alguns temas icónicos de Mão Morta, orquestrados de forma sublime pela Remix Ensemble. Os arranjos, com o cunho do pianista e compositor Telmo Marques, pareciam que tinham nascido de propósito para todos aquelas músicas.

O concerto foi pautado por algumas escolhas menos óbvias. O arranque deu-se com Humano, do álbum Primavera de Destroços. Mas foi Facas em Sangue que proporcionou o primeiro grande momento da noite com a orquestração a complementar o clássico de forma perfeita. Depois, mergulhámos por uma visita aos mais importantes momentos da carreira dos Mão Morta, sempre com a descarga energética que já nos habituaram, tendo Adolfo Luxuria Canibal inclusivamente saltado para as cadeiras da tribuna. Berlim (Morreu a Nove), único registo relembrado nesta noite do aclamado Mutantes S.21, representou a peça mais intensa, onde a orquestração atingiu a apoteose. Depois de uma brilhante Hipótese de Suicídio onde, mais uma vez, Luxuria Canibal demonstra ser um dos frontmans mais sinceros e intensos da música nacional, terminaram com 1º de Novembro.

Apesar da casa meio despedida, o entusiasmo dos presentes foi suficiente para motivar o regresso ao palco e repetir o clássico 1º de Novembro, desta vez cantado a uma só voz. Poucos, mas bons. O público exigiu o regresso.

A digressão seguiu para a última paragem na Casa da Música, casa de Remix Ensemble, onde os esperou uma sala quase esgotada.

Cláudia Filipe