Breaking a Monster

Breaking a Monster

Breaking a Monster

Breaking a Monster é um documentário musical que acompanha o fenómeno de uma banda jovem, os Unlocking The Truth. A banda, de Brooklyn, Nova Iorque, é formada por três miúdos que frequentam o 8º ano. Esta podia ser mais uma entre as milhares de bandas de teenagers que existem pelo mundo fora, mas tem a particularidade de vir de um local onde praticamente toda a população é adepta do hip-hop e do r ‘n b. Mas será só isso que os distingue e lhes granjeou um contrato de 1,8 milhões de dólares com a Sony Music?

São da geração Internet e o Youtube foi o melhor amigo no que toca a partilha da sua música. Além dos concertos de rua em Times Square, que já por si atraíam os olhares para tão tenras criaturas a tocar tão pesada música, foi através das redes sociais, um pouco à semelhança de Justin Bieber e outros, que este grupo chegou aos ouvidos certos.

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Ao longo de hora e meia acompanhamos um pouco daquilo que é ser manager de uma banda de adolescentes com sangue na guelra, que pouco ou nada ligam a burocracias. E mais não seria de esperar todo o desprendimento ou rebeldia, mesmo em reuniões com os manda-chuva. A malta quer é tocar e gravar discos. O que interessa é a música. E é este o motto dos miúdos.

Os tempos são outros e agora os pais agora acompanham os filhos em praticamente tudo, estando atentos a qualquer passo que dão. Ouvimos as preocupações dos progenitores, afinal, não é todos os dias que o teu filho de 13 anos assina um contrato de milhões de dólares. Mas aqui o documentário perde um pouco o fôlego e aborrece.

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Todo o documentário é muito terra-a-terra, sem grandes artimanhas. Se num momento vemos os três a tocar no festival Coachella, seguidamente é vê-los a brincar com os miúdos do seu bairro. E a partir daqui podemos identificar-nos com eles ou com os seus objectivos do momento. Com as suas personalidades ainda não construídas na totalidade. Malcom Brickhouse, o vocalista e guitarrista, é apaixonado pelo skate. Também se irrita facilmente quando não pode beber coca-cola. Alec Atkins, o baixista, é adepto de GTA e não consegue viver sem isso. E Jarad Dawkins, baterista, fala da relação com a namorada, “a melhor relação que podia ter”, como se já tivesse uns 30 anos.

Quando esperamos um rockumentary, esperamos álcool, miúdas, quartos de hotel destruídos, uns “Fuck Yeah!” a puxar pelo público e egos grandes. Aqui não há rigorosamente nada disso e até soa a estranho. É a antítese desse retrato que temos das bandas de rock e metal. Há pais a acompanhar a supervisionar a aventura do rock, há coca-cola em vez de álcool, não há drogas mas sim telemóveis com jogos. Será esta a imagem das bandas da pesada do futuro? Será que estamos perante os Jonas Brothers do metal e será isso um bom sinal?

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Vê-se que há ali uma possível máquina de fazer dinheiro e toda uma super-produção a caminho – como Alan Sacks afirma algures no filme, estão entre o underground em que tudo é possível e a máquina mainstream chamada The Jonas Brothers – mas também se vê genuinidade própria da idade e o sonho de qualquer grupo de miúdos que querem ter uma banda. Estes miúdos estão literalmente a viver o sonho e passaram de tocar na cave a sua tour imaginada para grandes estádios sem ainda terem sequer um álbum cá fora. É difícil nos dias que correm, em que a imagem, as redes sociais e tudo isso, se sobrepõem à qualidade musical e à vontade de fazer (mesmo) música. É certo, e tal como os próprios reconhecem, que falta maturidade, falta crescer e melhorar. Mas os putos safam-se, e não é à toa que tiveram um convite dos Metallica e abriram para Guns ‘N Roses e Motorhead. É deixá-los crescer.

7estrelas

Faço uns rabiscos aos quais gosto de chamar ilustrações. Escrevo e tiro umas fotografias. Modelo ocasional. Designer.

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