Mali Blues

Mali Blues

Mali Blues

Estamos também naquilo que, de forma vaga, genérica e vazia, se pode designar de música negra. De resto, nada mais há de semelhante com Miss Sharon Jones, outro dos filmes da secção Indiemusic. Estamos no Mali e, em vez de uma história individual, observamos a música como desígnio colectivo de um povo.

O foco principal é o jiadismo e a intolerância religiosa que, de forma extrema, tentou proibir a música no país. Uma música que, como vemos ao longo deste documentário, seja nos aspectos mais tradicionais ou na modernidade, fervilha nos corações dos malianos.

Por um lado, temos Bassekou Kouyate ou Amy Sakho e “Désert Nianafing”. O tema de apelo à paz e espiritualidade, de conjugação de etnias, culturas e línguas, contra a divisão de um povo e, acima de tudo, contra as divisões provocadas pelo radicalismo islâmico. Por outro lado, temos a história de Fatoumata Diawara, a maliana que regressa à terra natal após ter fugido, pelo desejo de emancipação e contra os costumes tradicionais mais retrógrados. É particularmente forte a interpretação do tema sobre a mutilação genital feminina. Por fim, temos o hip-hop, os fenómenos mais urbanos contra a corrupção política.

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O filme dispersa-se um pouco na conjugação de dois aspectos. Por um lado, o radicalismo ideológico e a arte como forma de o derrubar. Por outro, a questão da afirmação africana através da música, que não se fecha ao exterior, mas que não se deixa engolir pelo mundo ocidental. Até porque o blues tem origens em África e no Mali. Seja como for, fica o essencial: a espiritualidade e o fascínio de muita da música deste país.

6,5estrelas

João Torgal