Miss Sharon Jones

Miss Sharon Jones

Miss Sharon Jones

Sharon Jones é uma força da Natureza. Basta tê-la vista ao vivo, no Cool Jazz Fest, na Aula Magna ou lá fora, para se perceber isso de forma clara. Daquelas cantoras soul e funk descobertas muito tarde. Como tal, era fácil imaginar um documentário emotivo que fosse buscar as memórias de um percurso anónimo e que mostrasse os pequenos traços desta fascinante personalidade. Basta recordar Soul of America, o belo documentário feito sobre Charles Bradley, cujo percurso tem algumas semelhanças. Só que Miss Sharon Jones não o faz.

O documentário prefere focar-se no cancro que a cantora sofreu em 2014 e nos passos para o ultrapassar. E, aí, o que se vê acaba por ser uma história de resistência e superação, muito louvável obviamente, mas contada sem quaisquer traços de genialidade. O apelo à lágrima fácil é evidente, há momentos nos tratamentos que chegam a ser demasiado intrusivos e coisas que quase parecem encenadas e sem grande realismo. Só quando a vemos em palco, na digressão que se seguiu à remissão da doença, nos momentos mais focados na própria Sharon Jones, entramos no mais interessante desta história. Mas isso quase só acontece na parte final.

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Enfim, parece que estamos numa “reportagem” sensacionalista de um fraco talk-show televisivo. E, vale o que vale e o mais recente já foi em 1990, mas não parece obra de uma realizadora, Barbara Kopple, duas vezes vencedora de um Óscar para melhor documentário.

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João Torgal