Músicas da Semana #195

Escolhas de Pedro Costa (Desvio / Trem Azul):

Ornette-Coleman

Ornette Coleman – Lonely Woman
Uma das mais bonitas e tocantes melodias que já ouvi dentro de qualquer género. Curioso que um dos melhores compositores de sempre do Jazz seja um saxofonista do free e isso dá que pensar sobre o significado de free jazz. Para mim é simplesmente música livre e não significa caos ou desordem. Pode ser ou não. “Lonely Woman” vem no álbum “The Shape of Jazz to Come” de 1959 e ao lado de Ornette estão Don Cherry, Charlie Haden e Billy Higgins. Por um lado já morreram todos, por outro são quatro imortais.

Judee Sill – Crayon Angels
Esta linda música está muito ligada a uma fase muito importante da minha vida e ouvi-a quase todos os dias. Ainda o faço muitas vezes. Judee Sill gravou apenas dois discos, “Judee Sill” em 1971 e “Heart Food” dois anos depois e morreu em 1979 de overdose. Letra e música muito simples produto de uma alma atormentada. Foi o João Lisboa no seu blog “Provas de Contacto” que me incitou a encomendar os dois discos imediatamente tal a força das suas palavras sobre alguém que eu nunca tinha ouvido falar. Aos CD’s já se juntaram os LP’s e a ele muito agradeço.

Bob Dylan – Don’t Think Twice, It’s All Right
Em 1963 Bob Dylan, um dos maiores escritores de canções que o mundo já conheceu, gravou pela primeira vez este tema que me toca desde que a ouvi pela primeira vez numa cassete emprestada no início dos anos de 1980. É uma música que me toca pela enorme simplicidade e beleza, e chamo-a muitas vezes ao pensamento quando preciso de chão.

Martin Simpson – Hard Love
Original de Bob Franke” é na guitarra e voz de Martin Simpson que ganha asas e verdadeira profundidade. Simpson gravou este tema em dois discos, “Smoke and Mirrors” em 1995 e “Live” em 1996 e ambos os discos contam com o violoncelo de Hank Roberts, mais conhecido pela música tocada na downtown de Nova Iorque ao lado de músicos como Tim Berne, John Zorn ou Bobby Previte. Curioso facto. Há uns anos trouxe-o cá para tocar em Os Dias da Música no CCB e quando falamos pela primeira vez disse-lhe do meu encanto por esta música. À noite no hotel, entre as duas aparições no festival, ligou-me e perguntou-me se podia procurar a letra na internet e enviar-lhe. Assim fiz e quando a tocou no segundo dia vieram-me as lágrimas aos olhos.

Beatles – For No One
Uma das mais belas músicas jamais escritas e pela pena que jorrava obras primas quando combinados, John Lennon e Paul McCartney. O amor na sua forma mais humana e que nos inspira a dar-lhe a verdadeira dimensão e importância de sentimento não descartável. Andava com esta música na cabeça por ter comprado a versão remasterizada de “Revolver” à pouco tempo quando a minha querida sogra morreu. A beleza deu lugar à dor e é essa dor que me impede de a ouvir tantas vezes quantas devia.

Escolhas de Hugo Rodrigues:

Radiohead

Radiohead – Creep
Maldito link aquele que dizia que os Radiohead tinham tocado a Creep pela primeira vez em não sei quantos mil anos. Não é por nada, é só mesmo porque é aquele tipo de música que se impregna em nós e nos deixa a cantarolar por muito tempo, mesmo que involuntariamente. De qualquer forma é bom saber que os Radiohead estão a tocar e a variar alguns dos seus maiores clássicos nesta digressão de apresentação do novo álbum. Vamos lá ver o que nos calha a nós no NOS Alive (no pun intended), espero que não seja cocó.

Arcade Fire – Ready to Start
Nestes últimos três dias de Rock in Rio-Lisboa, e entre intervalos de bandas pelo Palco Vodafone, esta ouviu-se bastante. Boa preparação para daqui a cerca de um mês, mais coisa menos coisa

Thrice – Whistleblower
O tão aguardado (pelo menos para mim) To Be Everywhere Is To Be Nowhere chegou-me finalmente às mãos e ouvidos no final desta semana e tem tocado em repeat desde então. Podia ter escolhido qualquer uma mas optei por esta, por enquanto sem nenhuma razão em particular.

Korn – Blind
Ouvir duas vezes os primeiros 30 segundos da música conta, certo? Agora a sério, o concerto ia ser do caraças, melhores 20 minutos. Agora falta data a solo para compensar.

Mogwai – Too Raging Too Cheers
Porque o Hardcore nunca há-de morrer mas tu sim.

Escolhas de Andreia Vieira da Silva:

Korn

Korn – Did My Time
Confesso que não me importava de os ter visto novamente e aqueles 25 minutos que vi pela TV pareceram-me bastante coesos. Esta não fez parte do concerto flash, mas é das minhas favoritas da banda. Recordo-me do concerto no Super Bock Super Rock de 2006. Na altura, fui parar ao meio da multidão enfurecida e ainda não sei como sobrevivi. Foi dos primeiros concertos de metal que vi e que trago na memória e gostei de ver que exactamente 10 anos depois ainda conseguem ter uma boa energia ao vivo. Aguardo que se anuncie um novo concerto, talvez em nome próprio.

Mark Lanegan – Come Undone
Aproxima-se o concerto deste senhor e nada como revisitar a discografia.

Adele – When We Were Young
Adele é uma artista completa. Além do enorme talento, põe o coração na música, é irrepreensível ao vivo e, para colmatar, é de uma descontração nata. É inegável dizer que os concertos no passado fim-de-semana em Lisboa estão entre os melhores do ano. Esta é de “25”, lançado este ano.

Dinosaur Jr. – Watch the Corners
Uma das melhores e mais marcantes bandas do movimento grunge e que se apresenta no nosso país neste mês de Junho, no NOS Primavera Sound. Um som para os dias de sol.

Led Zeppelin – Kashmir
Intemporal.

Escolhas de João Neves:

Real-Estate

Real Estate – Talking Backwards
Grande canção e nem a chuva fez com que ela soasse menos bem. Simples, bonita e de letra muito fixe, juntando o facto de se ouvir ao vivo que mais podemos pedir?! A chuva é algo acessório.

Queen – Love of My Life
Já vem da semana passada, mas foi um momento tão bonito que vale a pena trazer para esta semana. A música tem destas coisas, torna imortais as pessoas que a fazem.

Metz – Spit You Out
Os festivais têm destas coisas, fazem-nos ir ouvir aquelas bandas que não conhecemos ou que já ouvimos falar mas estão na gaveta. Entrou e saltou directamente para os pontos mais altos do meu top, ainda para mais com um concerto como foi!

Korn – Blind
Bem… pelo menos aqui dá para ouvir do princípio ao fim.

Mighty Sands – Dk
Ver duas vezes numa semana e estar nas duas de certa forma a trabalhar ainda que de maneiras completamente distintas, tendo estado algum tempo a meio da semana a “dar um jeitinho” na gravação do primeiro concerto faz ter a certeza que vale a pena ouvir, especialmente esta.

Escolhas de Ricardo Almeida:

Hesitation Wounds

Hesitation Wounds – Guthrie
Quando os Touché Amoré não lhe chegam, e Jeremy Bolm acorda com os pés de fora, é preciso ir para a sala de ensaios partir tudo com os Hesitation Wounds. Com um Donald Trump a receber mais atenção dos media que qualquer outro candidato ou figura pública nos EUA por estes dias, “Guthrie” é um grito de revolta e repúdio perante a agenda xenófoba e a política de medo perpetuada por algumas pessoas.

Marissa Nadler – Nothing Feels the Same
O novo disco de Marissa Nadler continua a ser dos mais escutados por estes dias.

Memoirs of a Secret Empire – Sunset
Curioso para escutar o próximo registo destes rapazes.

BADBADNOTGOOD – In Your Eyes (feat. Charlotte Day Wilson)
Estes putos têm mesmo muita música dentro deles. O novo dos BBNG tem sido uma agradável surpresa e as colaborações só o tornam mais interessante.

Sumac – Clutch Of Oblivion
O Aaron Turner está mesmo bruto neste novo registo dos Sumac. Acho que vou começar fazer alongamentos e levantar uns pesos se quero sair inteiro do concerto em Julho.

Arte-Factos

Webzine portuguesa de divulgação cultural. Notícias, música, cinema, reportagens e críticas. O melhor da cultura num só lugar.

Facebook Twitter LinkedIn Google+ YouTube