Músicas da Semana #197

Escolhas de Pedro Coquenão (Batida):

MCK

MCK e Paulo Flores – Nzala Remake
A minha lista é completamente parcial. Assente em cumplicidades. Muito difícil separar a arte do artista nos temas que se seguem. Mais do que Kuduro ou o Afro House, tem sido o rap que mais se compromete socialmente em Angola. O ser underground não é definido pelo seu raio de ação ou dimensão comercial, ou de impacto na sociedade, pelo contrário, enche salas em coro. É uma opção e tem sido essencial para mantermos a sanidade mental colectiva como país.

Esta música junta duas vozes que marcam a minha geração. O Paulo Flores é o melhor seguidor de tudo o que de bom se fez na música Angolana nas décadas anteriores e o K, o rapper mais relevante em Angola. O vídeo acrescenta arte.

Phay Grande – Povo Burro
O K e o Ikonoklasta sabem que, se não fossemos amigos, este era o meu mc favorito de Angola.

Mona dya Kidi – Sintam o Kamun´dongo
Ele é tudo o que diz na música e muito mais. Ele e os kambas, são muito mais do que artistas.

Flagelo Urbano – Louco Por Opção (O Elogio da Loucura)
O Flagelo produziu alguns dos beats mais clássicos do hip hop angolano. Tem um coleção de singles que me mete inveja. Melancolia, música soul, mas não se fica por aí. Compromete-se com as palavras.

Bandulu Dub com MCK e Ikonoklasta – A Bala Dói
Novamente o K, agora como Ikonoklasta com um beat dos Bandulu Dub. Duas pessoas que guardo para vida.

#Angola17 #Liberdadeja

Escolhas de Andreia Vieira da Silva:

Gojira

Gojira – Flying Whales
Maratona de Gojira e eu que não posso ir vê-los ao Porto. A dor.

Skunk Anansie – Charlie Big Potato
Sei que Skunk Anansie passam a vida em Portugal, mas ainda não consegui vê-los ao vivo. Pode ser que tenha essa oportunidade no próximo concerto da banda, em 2017. Esta é para mim a melhor canção deles. Têm aquelas faixas orelhudas e amigas da rádio que todos conhecemos e esta também era relativamente conhecida, mas tem uma sonoridade mais pesada e mais raw.

Amon Amarth – On a Sea of Blood
Novo álbum dos suecos do Viking Metal. De Jomsviking esta é a melhor.

Gojira – Vacuity
Foi a primeira música de Gojira que ouvi, faz já algum tempo. É do álbum de 2008, The Way of All Flesh.

Draconian – The Cry of Silence
Não conheço muito mas isto parece-me muito bem.

Escolhas de Isabel Leirós:

sigurros

Sigur Rós – Óveður
Os Sigur Rós regressaram e muito se disse sobre a longevidade da banda. Com novo disco na calha, o Primavera Sound foi um óptimo momento para ouvir música nova em palco. Uma sonoridade diferente, riscada e arriscada, que surpreendeu. Os islandeses são tradicionalmente étereos, mas em “Óveður” navegam por mares mais experimentais. Uma lufada de ar fresco que augura um bom futuro.

Cass McCombs – Big Wheel
Se eu sonhasse fazer uma roadtrip pela América, este “Big Wheel” seria a minha companhia de eleição. Cass é um dos cantautores folk mais geniais, que as massas ainda não descobriram. A sua música apela a todos. Num verdejante fim de tarde, com o sol a brilhar e o calor a fazer-se sentir, este temaço fez-me viajar imaginariamente até ao Midwest árido e distante. Mas, hey, com o Cass eu viajaria para qualquer lugar.

Shellac – Steady As She Goes
Sei que foi retirado do disco de 2007, mas facilmente poderia fazer parte da banda sonora dos anos 90. Noise misturado com garage, rock como já não se faz, fruto de um espírito inconformista perante o establishment.

Battles – Atlas
Nove anos depois, dois álbuns mais tarde, é nesta estreia que os Battles se superam. A interpretação ao vivo da música original melhora com a passagem do tempo, o coro vocal traz uma alegria inexplicável à sonoridade matemática e repetitiva. Entre bateria e guitarras, o que os nova-iorquinos fazem soa a tudo, excepto à instrumentação “clássica” da sua música.

Car Seat Headrest – Creep
A coqueluche da Matador Records e do indie em geral estreou-se em Portugal e eu não vi. Lá está, escolhas num cartaz bem recheado dá nisto. Contudo, antecipo com muita segurança que não foi uma oportunidade única, a relação com os portugueses está para durar e ainda os devemos ver num Mexefest ou até num Alive.  Em pleno soundcheck, contudo, ouvi-o a fazer a sua versão da “Creep” dos Radiohead e gostei muito. Embora os autores do original até já tenham renegado o malhão que os trouxe ao mundo, a verdade é que é clássico rock intemporal. Aquela guitarra seca toca bem alto e dentro de nós, basta que deixemos.

Escolhas de Vera Brito:

ty-segall

Ty Segall and The Muggers – L.A. Woman
Depois do murro no estômago que foi ontem o concerto de Explosions In The Sky achei que estava feito o Primavera Porto e foi com pouca convicção e ainda a lamber as feridas que fui espreitar Ty Segall. E ainda bem que o fiz. Foi como injectar nas veias uma dose insana de adrenalina que me arrancou à melancolia logo aos primeiros acordes que ouvi daquele rock sujo e lunático. Fecho do Primavera totalmente inesperado. Ainda me dói o pescoço.

Car Seat Headrest – Vincent
Foi outra das surpresas do festival, é que ontem nasceu uma nova história de amor entre o público português e um artista. Will Toledo e companhia deixaram uma plateia rendida com algo que é afinal tão simples mas tão difícil de encontrar nos dias de hoje, música sem pretensões que comunica directamente a cada um de nós, que poderia ter saído de uma garagem, mas que ao que parece saiu antes de devaneios de uma cabeça a descansar no assento de um carro. Todo hype ficou justificado.

Savages – Hit Me
Vai ser das imagens mais surreais que irei guardar nas minhas memórias deste Primavera, ver Jehnny Beth a caminhar com completo domínio sobre o público febril, enquanto ao mesmo tempo lhes implora por pancada.

Animal Collective – Daily Routine
Era dos concertos que mais antecipava mas também o que mais receios me suscitava, temia que ao vivo se perdesse a magia de estúdio. Desvaneceram-se todos na festa de mil cores com que os Animal Collective pintaram a noite. Foi ser criança outra vez, foi deixar todos os problemas lá fora. Se alguma coisa faltou foi apenas o tempo que, assim como a infância, parece que passou a correr.

Sigur Rós – Festival
Nunca tinha visto Sigur Rós ao vivo, não estava de todo preparada para um concerto assim. Não tenho sequer palavras para a comoção que me causou, foi um momento assustadoramente bonito que talvez só o meu coração pudesse explicar se soubesse falar.

Arte-Factos

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