Músicas da Semana #199

Escolhas dos Urso Bardo:

Kikagaku Moyo

Kikagaku Moyo – Smoke and Mirrors
Ainda no rescaldo do incrível concerto que a banda japonesa deu na ZDB (em apresentação do novo disco ‘House in the tall grass’), a hipnotizante discografia dos Kikagaku Moyo tem estado em constante rotação bárdica. Destaque para a incrível Smoke and Mirrors do disco ‘Forrest of Lost Children’.

Daniel Rossen, Christopher Bear & The National – ‘Terrapin Station (Suite)’
Epopeia de 16 minutos, protagonizada por uma intrincada geringonça musical que junta os Grizzly Bear (Daniel Rossen, Christopher Bear) aos The National. A música integra ’Day of the Dead’, um disco de tributo aos Grateful Dead com o selo da 4AD.

Filho da Mãe e Ricardo Martins – Estrela e Acabada
Não há nada abaixo de excelente no novo disco de Filho da Mãe e Ricardo Martins. Tormenta só mesmo o facto de não durar mais do que 31 minutos…

Quelle Dead Gazelle – Pedra-Pomes
Tropeçámos neste duo português recentemente. As riffs do Pedra-Pomes são absolutamente viciantes. E que disco, este Maus-Lençóis.

Do Make Say Think – The Apartment Song
Há coisa de um ano atrás, alguém nos disse “pá o vosso som faz-me lembrar esta banda canadiana”. Como não conhecíamos os Do Make Say Think, fomos investigar: tratava-se, claramente, de um rasgado elogio.

Escolhas de Alexandre Júnior:
©Keystone/Getty Images

©Keystone/Getty Images

Carpenters – Let Me Be The One
Passaram de uma tímida guilty pleasure a uma relação assumida. Acho fascinante como os Carpenters, formados pelos irmãos Karen e Richard, agora estabelecidos por outra geração como uma das grandes pérolas da pop, eram, na década de 70, foleiros e direccionados a um público mais maduro, mainstream, e musicalmente pouco curioso, digamos assim. A sua música, cândida e melosa, cita os passados êxitos de Burt Bacharach, e estabelece um repertório pop que aguarda reverência e reinvenção pelas próximas gerações. Recomenda-se a audição dos dois seminais discos Close to You, de 1970, e o homónimo de 1971.

Mort Garson – Baby’s Tears Blues
Esta é uma das pérolas que se encontram perdidas na electrónica dos anos 70. O canadiano Mort Garson é tido como um dos pioneiros do género, e o site AllMusic descreve-o como ‘one of the most unique and outright bizarre resumés in popular music, spanning from easy listening to occult-influenced space-age electronic pop’; esta música em particular poderia, por exemplo, ter sido banda sonora de uma cena mais escaldante no Twin Peaks de David Lynch. A ouvir por quem gosta de música espacial, estranha, ou ambas.

B Fachada – O Ciúme e a Vergonha / Pelas Ruas
No rescaldo do concerto em Braga, dediquei-me a ouvir algum do repertório mais recôndito do tio B, que leva já mais de dez anos de carreira. Não parece! Neste disco, de 2009, podem-se ouvir alguns dos êxitos mais presentes no imaginário do português (Zé!, Zappa Português), como momentos mais estranhos – esta Pelas Ruas, de guitarra barulhenta e atonal e um ‘refrão’ balbuciante, mostra-nos um resquício de um dos seus períodos mais criativos. O disco, Um Fim-de-Semana no Pónei Dourado, é um autêntico must.

Roly Porter – 4101
O artista britânico, ao terceiro disco, encontra refúgio nas Leis de Newton e continua a jornada pela música experimental. 4101 é a música que abre Third Law, um poderoso disco para se ouvir com atenção. A imprensa internacional descreveu-o recorrendo frequentemente ao termo shrapnel, que designa os pedaços de material que voam depois de uma explosão, e que é, no fundo, uma comparação astuta. Mas não se enganem: Third Law é intenso, mas tem muita substância além dos poderosíssimos clímaxes.

Laura Palmer’s Theme – Xiu Xiu
Ainda deste ano, Xiu Xiu, um músico experimental, reinterpretou a banda sonora da série Twin Peaks. É um óptimo disco e que liberta a energia presente em alguns momentos austeros da original; reescreve, com outro espectro emocional, a música original de Angelo Badalamenti. Não se assustem com o epíteto ‘experimental’: basta que conheçam a obra original para desfrutarem da diferença.

Escolhas de João Neves:

First-Breath-After-Coma

First Breath After Coma – Good Morning Days
Dos lados de Leiria tem vindo muito material bom este ano. A fasquia do primeiro álbum dos First Breath After Coma tinha ficado bem alta, mas não deixaram ficar mal. Drifter arrisca-se mesmo a ser dos álbuns do ano!

Radiohead – True Love Waits
Esperou… esperou sim e a espera valeu a pena, atuam já para a semana no NOS Alive e se encaixarem o setlist da mesma forma com que encaixaram o do álbum, especialmente esta, vai ser fantástico.

Nice Weather For Ducks – Marigold
Até que podemos dizer que é música de verão e não tem de ter um lado pejurativo. O novo álbum dos Nice Weather For Ducks está mesmo… nice.

The Strokes – Threat of Joy
O regresso dos Strokes tem o seu quê de piada com esta letra, parece quase um amuo… e será que não é? Aguardemos por mais que um EP.

Red Hot Chilli Peppers – This Ticonderoga
Sou só eu que oiço uns Queens of Stone Age nestas guitarras?! Independentemente disso o novo álbum dos Red Hot está muito bem conseguido e mostram estar mesmo bem maduros. A prová-lo está o single.

Arte-Factos

Webzine portuguesa de divulgação cultural. Notícias, música, cinema, reportagens e críticas. O melhor da cultura num só lugar.

Facebook Twitter LinkedIn Google+ YouTube